Atividade: Painel

 

A DEPENDÊNCIA DA INTERNET EM UMA PERSPECTIVA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL: ANÁLISE FUNCIONAL E POSSIBILIDADES PSICOTERAPÊUTICAS

IZABELA SCHVAN VILACA

Gabriela Ferreira Esma

Cynthia Carvalho Jorge

Universidade Paranaense (UNIPAR) - Campus Cascavel

A internet é considerada o veículo de comunicação de maior acesso pela população mundial. Apesar das inúmeras vantagens produzidas, o uso exagerado dessa ferramenta pode acarretar diversos prejuízos nas esferas comportamentais para os indivíduos, sendo eles verbais ou não verbais. Este trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica, de caráter conceitual, baseada em artigos científicos, livros, dissertações que buscam descrever algumas das contingências envolvidas no quadro de dependência da internet, avaliando tal fenômeno sob uma perspectiva analítico-comportamental, e analisando possibilidades psicoterapêuticas diante desses casos. Considerando que comportamentos de mesma topografia podem possuir funções diferentes, expõe-se uma breve análise funcional sobre possíveis variáveis controladoras que poderiam estar relacionadas com a emissão do comportamento de usar excessivamente a internet. No que se refere às Contingências de Reforçamento (CR) negativo, poder-se-ia dizer que uma pessoa pode utilizar a internet com a função de fugir ou se esquivar das condições aversivas encontradas em casa ou em outros ambientes que frequenta. Dessa forma, ao entrar no mundo virtual, se ”desconecta” de relacionamentos que muitas vezes têm função aversiva para ela, e que não consegue contracontrolar de forma adequada. Por outro lado, consequências reforçadoras positivas também atuam na manutenção desse comportamento, uma vez que, ao entrar na internet, experimenta sensações agradáveis de prazer advindas do contato com reforçadores sociais em chats, jogos, redes sociais, ou do contato com conteúdos com possível função reforçadora positiva. Há uma infinidade de variáveis que podem controlar tal comportamento. Considerando que este excesso comportamental pode ter diferentes funções na vida do indivíduo, o psicoterapeuta deverá embasar sua condução psicoterapêutica na análise funcional (AF) do caso. Por meio da AF, pode-se planejar estratégias psicoterapêuticas que visem a amenizar o sofrimento emocional dos indivíduos, e possibilitar condições que facilitem a aquisição ou o aprimoramento de habilidades deficitárias no repertório dos mesmos. Uma vez que muitos casos de dependência ocorrem em função de um repertório deficitário na esfera social, comumente investe-se em treinamento de habilidades sociais. Além disso, o psicoterapeuta pode incentivar o contato com outros reforçadores, fora do ambiente virtual, que produzam sensações agradáveis, e também, planejar CR desejadas para instalar/aprimorar um repertório de autocontrole. O objetivo da psicoterapia comportamental não é de fazer com que o sujeito interrompa o uso da internet, pelo contrário, o psicoterapeuta buscará compreender o que controla esse excesso comportamental e atuará sob controle dessas variáveis.

Palavras-chave: Terapia Comportamental, dependência de internet, análise funcional.