Atividade: Painel (Estudo transversal descritivo)

 

COMPORTAMENTO DE RELIGIOSIDADE E RESILIÊNCIA EM CUIDADORES FAMILIARES

 

CARLA FABIANA CARLETTI PESSOTTI

Gloria Maria de Almeida Souza Tedrus

Lineu Correa Fonseca (in memoriam)

Diana Tosello Laloni

 

PUC-Campinas

 

A longevidade da população traz como decorrência natural o aumento na prevalência de doenças associadas ao envelhecimento como as demências, de acordo com a classificação atual do DSM 5 (2013), as demências estão na categoria Transtorno Cognitivo Maior, é uma síndrome que pode ocorrer em diversas condições patológicas, tem como característica o desenvolvimento múltiplo de déficits cognitivos com prejuízos em atividades básicas e instrumentais da vida diária, sendo necessários cuidados específicos. No Brasil é comum os cuidados por cuidadores/familiares. Estudou-se o comportamento desses cuidadores com os instrumentos: Escala de Qualidade de Vida na DA (QdV-DA); Burden Interview (BI) para sobrecarga; Inventário de depressão de Beck (BDI); Índice de Religiosidade da Universidade de Duke – Versão em Português (PDUREL); e Escala de Resiliência. Os resultados tratados estatisticamente indicaram que os cuidadores/familiares apresentaram sobrecarga moderada, sem sintomas depressivos, elevado índice de religiosidade intrínseca com práticas diárias de rituais religiosos individuais e frequência regular a instituições religiosas, elevada percepção de qualidade de vida e alto índice de resiliência. Esses achados sugerem que apesar da tarefa de cuidar ser onerosa, os cuidadores/familiares adaptam-se. Buscou-se nos princípios da análise do comportamento a interpretação do comportamento de adaptação identificada como engajamento em práticas religiosas; elevada percepção de qualidade de vida e elevada resposta de resiliência frente às diversas situações. Cuidadores/familiares com sintomas depressivos apresentaram maior percepção de sobrecarga, menor resposta de resiliência, maior percepção de comprometimento da qualidade de vida e maior religiosidade intrínseca. Aqueles que possuíam maiores respostas de resiliência, apresentaram menor ocorrência de sintomas depressivos, menor percepção de sobrecarga e maior percepção de melhor qualidade de vida. Esses dados indicam que cuidadores com respostas de resiliência apresentam menos sintomas depressivos. Diante dos princípios da análise do comportamento, adaptação ocorre com o desenvolvimento de repertórios religiosos, repertórios de cumprimento de regras, variabilidade comportamental, tolerância à frustração e habilidades sociais. Os cuidadores/familiares adaptados às contingencias de cuidados provavelmente apresentavam maior repertório em habilidades sociais, alta variabilidade comportamental para o enfrentamento de adversidades e elevada tolerância à frustração frente à interação com o idoso adoecido com manifestações neuropsiquiátricas e perdas das capacidades funcionais como consequência da evolução do quadro demencial. Esta classe de respostas poderia estar relacionada à elevada percepção de qualidade de vida, baixa percepção de sobrecarga e sintomas depressivos, uma vez que os sujeitos tenderiam a operar no ambiente de maneira a enfrentar e minimizar estímulos aversivos, preservar o acesso e produzir reforçadores.


PALAVRAS-CHAVE: Cuidador/familiar; demências; variabilidade comportamental; habilidades sociais.