Atividade: Painel

 

 

O EFEITO DA PSICOTERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP) SOBRE O

REPERTÓRIO DE DEPENDENTES DE SUBSTÂNCIA

 

ALAN SOUZA ARANHA

Claudia Kami Bastos Oshiro

USP

 

A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) é uma psicoterapia comportamental que pressupõe que a) os comportamentos-problema que levaram o cliente à psicoterapia ocorrerão na sessão por generalização, visto a semelhança funcional entre as interações do cliente em sua vida e a relação social estabelecida com o psicoterapeuta e b) a melhor intervenção disponível ocorre quando o psicoterapeuta intervém imediatamente sobre tais comportamentos quando eles são emitidos na sessão psicoterapêutica. A FAP vem ganhando validação empírica para uma variedade de populações, porém pouco foi estudado sobre sua aplicação ao Transtorno por Uso de Substâncias (TUS). O objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos da FAP sobre comportamentos clinicamente relevantes (CCRs), mudanças extrassessão relacionadas ao abuso de substâncias e a manutenção dos ganhos em uma sessão de acompanhamento após três meses do encerramento do processo psicoterapêutico de dois indivíduos institucionalizados que preencheram os critérios para o diagnóstico de TUS. Foi utilizado um delineamento quase-experimental de caso único A/A+B, onde na primeira etapa os clientes foram atendidos com estratégias da Terapia Analítico-Comportamental (TAC) (A) e na segunda foi adicionada a interação lógica da FAP (B). Os CCRs foram registrados com o instrumento Functional Analytic Psychotherapy Rating Scale (FAPRS) e a frequência de uso de drogas com o Timeline Followback (TLFB) três meses antes e três meses depois de encerrado o delineamento. Todas as sessões foram gravadas (20 para o primeiro e 18 para o segundo cliente) e cinco sessões de cada fase experimental foram categorizadas com o FAPRS. Os resultados obtidos indicaram a alteração no padrão comportamental dos clientes em sessão, com a diminuição na frequência de comportamentos-problema (CCRs1) e aumento de progressos terapêuticos (CCRs2) com a introdução da FAP na etapa experimental, em especial o componente reforçamento positivo contingente a respostas de melhora (Regra 3-2), porém apenas o cliente que frequentou maior número de sessões de psicoterapia manteve os progressos terapêuticos na sessão de follow up. Uma análise dos dados quantitativos indicou melhora no abuso de substâncias para os dois participantes. Concluiu-se que a FAP produziu alterações psicoterapêuticas para ambos os clientes atendidos e levantou-se a hipótese de que o volume de intervenções FAP se relacionou com a manutenção dos ganhos psicoterapêuticos dentro de um prazo de três meses.

 

Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional (FAP); dependência de substâncias; pesquisa de processo-resultado; Análise Aplicada do Comportamento; categorização