Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

“NÃO SEI SE SOU CAPAZ”: BAIXA AUTOCONFIANÇA E EXCESSO DE ANSIEDADE ANALISADOS EM UM CASO CLÍNICO A PARTIR DA TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

LUCIANA LEÃO MOREIRA

NTCRBH

Mariana (19) é filha única, tem segundo grau completo (curso técnico de administração). Quando iniciou o processo psicoterapêutico morava com os pais - Carlos (40) e Pollyana (38) e estava desempregada. A cliente namorava Natan (20) há 3 anos.  A queixa inicial era a seguinte: “me acho triste, sou muito tímida.” (...) “não escolhi o que eu quero na faculdade... não me encontro.” (...) “Tenho medo de trabalhar... medo de fazer alguma coisa errada.” (...) “Não sei se sou capaz”. A análise da história de contingências da cliente revelou que o excesso de proteção e cuidados por parte dos pais (que realizavam tarefas por ela, ou junto com ela e colocavam empecilhos para que a cliente se comportasse sem a ajuda ou orientação deles), além do ambiente familiar extremamente coercitivo e controlador (excesso de críticas, pouco afeto, pouca conversa, excesso de proibições e ameaças) produziram déficits em alguns repertórios comportamentais: 1) solucionar situações adversas por si própria – dificuldade de tomar decisões, 2) falta de repertório comportamental para emitir comportamentos que produzissem reforços positivos sociais e sócio-afetivos; 3) variabilidade comportamental bastante restrita – dificuldade de tomar iniciativa; 4) baixa tolerância à frustração; 5) baixa autoestima e autoconfiança, 6) baixo autoconhecimento e auto-observação. E também excessos comportamentais: 1) comportamentos governados por regras disfuncionais, 2) excesso de comportamentos de fuga/esquiva, 3) excesso de sentimentos de ansiedade e medo, 4) supervalorização do outro – medo de julgamento e busca por proteção; 5) fantasias exageradas a respeito das dificuldades da vida cotidiana. Devido a esses excessos e déficits comportamentais, muitas situações na vida da cliente adquiriram função aversiva, justamente porque Mariana não possuía repertório comportamental eficaz para enfrentar tais situações, como por exemplo: um trabalho, um novo curso, um novo namorado, relacionamentos sociais em geral. Diante das dificuldades relatadas acima, os procedimentos utilizados foram: 1) reforçamento diferencial do relato de respostas que representassem uma variação no comportamento da cliente, 2) instalação de comportamento verbal que descrevesse de forma mais clara e ordenada as contingências vivenciadas, 3) instrução verbal, analisando com a cliente as contingências, 4) reforço positivo por meio de acolhimento, 5) modelação – terapeuta sendo o modelo, 6) antecedentes verbais com fenótipo de questões. Por fim, serão apresentados alguns resultados do processo psicoterapêutico, tais como: começar a trabalhar, terminar o namoro, conhecer outro rapaz, buscar outras fontes de reforço positivo para ela.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), baixa autoconfiança, ansiedade.