Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

“EU SOU HOMOSSEXUAL?”: DESENVOLVENDO AUTOCONHECIMENTO POR MEIO DA TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

JAQUELINE FELIPE JANGO CATUZZO

 

ITCR - Campinas

 

Clarinha (17), era estudante pré-vestibular e residia com a mãe (50) e uma irmã (22). Sua queixa principal era: “Eu vim porque eu estou perdida, eu estou gostando de uma menina, ela é minha amiga. Nós estávamos se conversando, eu contei para minha mãe, ela [mãe] me pediu para eu largar de falar com ela [amiga] porque isto me confunde. Eu sou homossexual?”. As dificuldades comportamentais de Clarinha identificadas pela psicoterapeuta incluíram baixo autoconhecimento para discriminar o que lhe era reforçador e baixa variabilidade comportamental para emitir comportamentos que pudessem  produzir estímulos com possível função reforçadora positiva. A psicoterapeuta solicitou que a cliente descrevesse suas interações familiares e sociais e discriminou que a cliente tinha um excesso de comportamentos governados por regras advindas da mãe, déficits no repertório social, dificuldades de verbalizar o que sentia e pensava e não emitia comportamentos com a função de contracontrole diante de situações aversivas com a mãe. A história de Contingências de Reforçamento (CR) revelou que a cliente foi exposta a CR coercitivas no que se refere a construção de um relacionamento afetivo e sexual, o que produziu elaborado repertório de fuga-esquiva das interações com homens, favorecendo suas interações com amigas e restringindo seu repertório de interação com o sexo oposto. Os objetivos psicoterapêuticos com Clarinha foram: descrever os comportamentos emitidos por ela e as funções que tinham para si mesma e para as pessoas de seu ambiente social; identificar os sentimentos existentes nas interações com a família; explicitar as regras e autorregras que governavam seus comportamentos; desenvolver autoconhecimento; instalar repertórios sociais desejados com possível função reforçadora positiva nas suas interações e instalar repertórios de contracontrole no ambiente familiar. Os resultados foram: a cliente passou a ficar mais sob controle do produto de seu próprio comportamento; diminuiu a emissão de respostas sob controle de regras advindas da mãe; passou a emitir respostas de interação afetivas-sexuais mais reforçadoras para si e a emissão de respostas de contracontrole no relacionamento familiar.

 

Palavras–chave: sexualidade; autoconhecimento; contracontrole; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).