Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

“TENHO MEDO DE ÁGUA, PORÉM DANÇO NA CHUVA.” – MEDOS DE UMA CRIANÇA: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

INGRID PICCOLLO COMPARINI

ITCR - Campinas

 

Na época dos atendimentos, Soraya (9) morava com os pais e as irmãs, estudava em uma escola particular no interior paulista e praticava esportes, tais como caratê e basquete. A mãe procurou psicoterapia para a filha se queixando que Soraya tinha “muitos medos”: medo de escuro, medo de monstros, medo de ficar sozinha, receio de que os pais morressem e medo de chuva. Foi possível avaliar com a cliente que os sentimentos de medo apareciam em diversos contextos da vida dela, como em casa, na casa das colegas e na escola. Ao longo da psicoterapia analisou-se que, quando relatava estes medos, Soraya produzia consequências como esquivar-se de atividades na escola, autorização para assistir TV até dormir e produzia atenção constante dos familiares. Além de tais Contingências de Reforçamento (CR) foram analisados ainda déficits comportamentais como dificuldades acadêmicas; dificuldades no repertório de habilidades sociais, para fazer e manter amigos, e baixa tolerancia a frustração, advindos de possíveis consequências reforçadoras obtidas com baixo custo de respostas. Um exemplo disto era que em muitas situações, Soraya ganhava diversos brinquedos simplesmente pedindo aos pais. Tendo em vista tais déficits comportamentais, é provavel que o padrão fenotípico de sentir medo tenha sido selecionado em ambientes em que as dificuldades e déficits de Soraya apareciam com mais frequência, ou seja, situações em que fosse provável a emissão de respostas de fuga-esquiva de atividades  que a cliente não tinha repertório para enfrentar. Dentro desse contexto, os  objetivos da psicoterapia foram: desenvolver o repertório de discriminação da cliente e dos responsáveis acerca das funções comportamentais do padrão de Soraya; ampliar o repertório de habilidades sociais; ampliar o repertório de comportamentos relacionados aos estudos; e fortalecer sentimentos de tolerâcia à frustração. A fim de atingir tais objetivos, foram utilizados procedimentos de: descrição e análise de contingências; dar modelo; instruções; manipulação das CR de maneira a aumentar a probabilidade da emissão de comportamentos desejados, principalmente no que se refere à classe de respostas de tolerância à frustração (foram utilizados, como estímulos antecedentes que evocassem tais respostas, jogos, encenação de faz de conta com bonecos etc); instruções para os pais e reforçamento diferencial de respostas desejadas emitidas pela cliente. A cliente apresentou alguns resultados importantes no processo psicoterapêutico, como se engajar em situações sociais com amigas da mesma idade; se engajar em orientações que envolvessem respostas da classe de estudar e frequentar a escola; variar respostas desejadas em ambiente psicoterapêutico após perder alguns jogos. A cliente continua em processo psicoterapêutico. 

 

 

Palavras-chave: sentimentos de medo, baixa tolerância à frustração, psicoterapia com criança, Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).