Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

NÃO CONSIGO CRIAR VÍNCULOS (E NÃO SEI COMO FAZÊ-LO): UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

HARLEY MARTINS DA COSTA JUNIOR

ITCR – Campinas

Milena (27), formada em psicologia em uma universidade particular do interior de São Paulo, buscou psicoterapia sob controle da dificuldade em criar vínculos sociais e amorosos,  de sentimentos de baixa autoestima e do  relacionamento ruim com o pai. A cliente é filha de Sebastiana (65), com quem  frequentemente entrava em discussões na época da psicoterapia, e Ricardo (73),  com que não conseguira  criar um relacionamento próximo e afetivo ao longo da vida. A cliente morava com os pais até então. O psicoterapeuta identificou durante as sessões dificuldades como (1) excessiva emissão de repostas de fuga-esquiva ao relatar suas dificuldades acerca de envolvimentos sócio-afetivos, (2) controle por autorregras disfuncionais que produziam sentimentos de culpa, (3) baixa sensibilidade ao outro, (4) emissão de comportamentos de alimentação insalubre e excessiva, (5) insensibilidade a reforçadores sociais naturais em interações com o sexo oposto,  (6) baixo repertório de ser reforçadora para o outro nessas interações e (7) baixa emissão de relatos espontâneos em sessão. A investigação sobre a história de contingências da cliente revelou que ela teve modelos escassos de comportamentos afetivos e que recebeu poucos reforços sociais positivos direcionados a ela especificamente e não somente a seus comportamentos, não desenvolvendo assim sentimentos de autoestima. No decorrer da psicoterapia, a cliente também revelou que tinha o vírus HPV. Os objetivos do psicoterapeuta foram (1) diminuir o controle por regras disfuncionais envolvidas na relação com o pai, (2) diminuir as discussões com a mãe, (3) desenvolver sensibilidade a reforços sociais em interações com o sexo oposto e (4) desenvolver regras funcionais quanto ao HPV. Poucas vezes a cliente se mostrou resistente às propostas do psicoterapeuta, logo os resultados do processo psicoterápico apareceram conforme as sessões corriam. Foi possível observar que houve diminuição de discussões da cliente com a mãe; aumento de sensibilidade a reforços sociais do sexo oposto;  maior apresentação de respostas potencialmente reforçadoras sociais para o sexo oposto e, por fim, vínculos importantes para a cliente foram criados ao longo do processo psicoterápico. A cliente continuou engajada na psicoterapia mesmo com o término do ano.

 

Palavras-chave: habilidades sociais; Terapia por Contingências de Reforçamento; autorregras.