Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

COMO A TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR) PODE AJUDAR NA DEPRESSÃO PÓS-PARTO?

 

CONCEIÇÃO APARECIDA DOS SANTOS COVRE BATISTA

ITCR – Campinas

 

Adriana (32), casada com Rodolfo (29), tem uma filha Isabela (3 meses). Estava em licença gestante quando procurou por psicoterapia orientada pela obstetra, para investigação de depressão pós-parto. A. apresentou a seguinte queixa: “15 dias após o parto comecei a ter crises de choro... chorava todos os dias... geralmente no final da tarde... Até que um dia eu tive uma crise de chorar compulsivamente sem conseguir parar... Eu chorava, a nenê chorava também... eu ficava desesperada sem saber o que fazer”...  “Rodolfo contou pra minha mãe e para a mãe dele, e aí minha mãe foi passar uns dias comigo... Eu não queria incomodar a minha mãe, mas eu não aguentava mais... mal deitava após as mamadas já tinha que levantar de novo... estava esgotada”... “Passou o período do 1º mês, minha mãe já havia voltado para a casa dela [que ficava em outra cidade], comecei a me sentir muito sozinha em casa, o dia todo com a nenê... As crises pioraram, comecei a sentir falta de ar, braço formigando, tive que chamar minha mãe novamente, que passou a revezar com minha sogra, e aí passei a chorar mesmo não estando sozinha”. Durante o processo psicoterapêutico, as seguintes dificuldades foram observadas pela psicoterapeuta: episódios de choros frequentes, déficit de repertório para executar tarefas simples de cuidado com a recém-nascida; déficit de repertório para se expressar de maneira assertiva com o marido; excesso de comportamentos governados por regras e autorregras disfuncionais; baixa tolerância à frustração; medo da avaliação do outro; insegurança, sentimentos de culpa, entre outras. Foram traçados os seguintes objetivos: instalar e ampliar repertório de cuidados com a recém-nascida; instalar repertório de expressar sentimentos e pensamentos de maneira assertiva ao marido; diminuir emissão de comportamentos governados por regras disfuncionais e levar a cliente a ficar sob controle das Contingências de Reforçamento (CR) em operação; aumentar a tolerância à frustração; ampliar repertório para lidar com avaliações e julgamentos; levar a cliente emitir comportamentos e sentimentos de enfrentamento em situações consideradas previamente aversivas; aumentar a autoconfiança da cliente  em determinadas ações com a filha e com o marido e fazer uma consulta com a obstetra para verificar necessidade de medicação para a cliente.  Para alcançar tais objetivos, os seguintes procedimentos foram utilizados: descrição e análise de CR , apresentação de instruções verbais, treino de habilidades sociais com apresentação de modelos considerados assertivos para tornar mais efetiva a comunicação com o marido;  distinção conceitual entre comportar-se sob controle de regras e das CR e descrição das consequências produzidas em cada uma destas situações, fading in e fading out na instalação de comportamentos de cuidados com a recém-nascida, apresentação de instruções verbais e  de modelos para ampliação de repertório para  lidar com avaliações e julgamentos das pessoas e situações consideradas aversivas pela cliente, leitura de texto sobre sentimento de culpa para levar a cliente a identificar e analisar comportamentos dela que produziam tal sentimento , fazer uma consulta com um psiquiatra para orientação sobre a necessidade de tratamento medicamentoso, entre outros. No decorrer do processo psicoterapêutico, foi possível observar algumas mudanças de comportamento que podem ser consideradas como resultados de tal processo, tais como: diminuição gradativa, dos episódios de choro, chegando à remissão completa dos episódios; ampliação no repertório de cuidados com a filha e experiência de momentos de prazer associados a este; melhora na comunicação com o marido, o que produziu um relacionamento mais harmonioso; diminuição do sentimento de culpa; melhora nos comportamentos e sentimentos de autoconfiança e diminuição na emissão de comportamentos governados por regras disfuncionais.

 

Palavras-chave: Depressão pós-parto; comportamento governado por regras;  Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).