Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

NÃO, NÃO E NÃO: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DESAFIADOR DE OPOSIÇÃO

 

ANA CAROLINA DE OLIVEIRA ESPANHA ROMEIRO

ITCR Campinas

Leo (06) cursava o 1º ano do Ensino Fundamental e era o primogênito de Lilian (24) e Diego (24). Após separação, Lilian casou-se com Gustavo (27) e teve outro filho, Vini (03). Leo passava a semana com a família da mãe e quinzenalmente frequentava a casa do pai. As queixas iniciais apresentadas pela mãe de Leo foram: “O Leo não obedece ninguém, grita e exige que seja tudo do jeito dele. Ninguém mais quer ficar perto do meu filho”. Além dessa queixa, Lilian relatou episódios de agressividade de Leo com pessoas da família, incluindo o irmão caçula: “Ele se descontrola e vira outra criança, as pessoas se assustam e acabam se afastando”. Com relação ao Transtorno Desafiador de Oposição, a mãe complementa: “A escola pediu para eu procurar ajuda por causa da conduta opositora dele. Se eu não procurasse, ele ia ser expulso... É ocorrência todo dia”. Tais queixas sugeriam a dificuldade da família, em especial da mãe, em consequenciar comportamentos desejados e enfraquecer indesejados. A psicoterapeuta identificou outras dificuldades de Leo: baixa tolerância à frustração; padrão variado e fortalecido de comportamentos indesejados em situações que considerava aversivas; comportamentos de impulsividade e de baixa empatia com relação a terceiros. O cliente tinha uma história de Contingências de Reforçamento (CR) composta, prioritariamente, por interações nas quais a família, frequentemente, cedia às pressões de Leo para evitar maiores reações aversivas vindas dele. Com isso, Leo foi reforçado de forma positiva diante dos indesejados que emitia, enquanto as outras pessoas eram reforçadas negativamente. Assim, Leo aprendeu a não dialogar diante de conflitos e a ficar sob controle somente daquilo que era mais conveniente/reforçador, contribuindo para sua intolerância diante de pessoas e situações que não o agradavam. Leo apresentava inteligência acima da média de seu desenvolvimento. Os objetivos psicoterapêuticos foram: a) desenvolver repertório de discriminação das Contingências de Reforçamento em operação, tanto para Leo quanto para os pais e padrasto; b) listar e colocar em prática atividades que produzissem reforços positivos e que competissem com os comportamentos relativos ao TDO; c) desenvolver repertório de sensibilidade ao outro; e) ensinar Leo a lidar com situações conflituosas, ou seja, diminuir seu padrão de comportamentos de agressividade e aumentar a sua tolerância a frustrações. Os procedimentos realizados durante o processo incluíram: a) sessões de orientação a pais que priorizavam instruções verbais e descrição das CR em operação; b) reforçamento diferencial de comportamentos desejados emitidos pelo cliente na presença da psicoterapeuta; c) modelagem de comportamentos desejados por parte da família; d) economia de fichas. Os resultados obtidos foram: a) o cliente começou a diminuir a emissão de respostas agressivas (aumento do autocontrole), b) o cliente passou a ficar mais sensível ao produto de seu próprio comportamento (ou seja, de permanecer sob controle das CR em operação); c) estabelecimento de rotina intercalada entre tarefas obrigatórias e atividades prazerosas; d) aumento da sensibilidade em relação aos outros. Todas essas alterações no repertório do cliente e nas CR proporcionaram modificações desejadas nas relações do cliente com os pais, familiares e amigos.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); Transtorno Desafiador de Oposição; Modelagem de Comportamentos; Agressividade.

 

 

.