Atividade: Estudos de Casos Clínicos

 

COMO UM PASSARINHO PRESO NA GAIOLA: A HISTÓRIA DE UMA REFÉM DO TRANSTORNO DE PÂNICO TRATADO PELA TCR

ANA PAULA DENIPOTE MARQUES

ITCR – Campinas

Rosana (48) era casada com Heitor (52) e mãe de dois filhos, Rodrigo (22) e Júlio (19). Morava com Heitor em uma cidade do interior de São Paulo e os filhos moravam na capital do mesmo Estado para concluírem o ensino superior. Era graduada em Educação Física, ex-proprietária de uma academia de ginástica, onde atuou como professora de natação, e ex-sócia-proprietária de uma rotisseria. Quando iniciou o processo psicoterapêutico, não mais trabalhava. Procurou  psicoterapia pois vivenciou alguns episódios de crise de pânico. Disse ter dificuldades para ir a supermercados, viajar de avião, entre outras situações em que parecia se sentir fora de controle. Os sintomas por vezes foram intensos a ponto de Heitor levá-la ao hospital. Evitava sair de casa e, quando saía, era na presença do marido. O repertório comportamental de Rosana apresentava alguns déficits e excessos: não conseguia delegar tarefas, não acreditava que o outro fosse capaz de cumprir tarefas, apresentava dificuldade para se comunicar de forma assertiva, não expressava descontentamento, desejos ou interesses, apresentava comportamentos e sentimentos pouco desenvolvidos de autoestima e de autoconfiança. A história de Contingências de Reforçamento vivida pela cliente justificava o repertório comportamental apresentado. Na infância e adolescência, Rosana precisara emitir muitos comportamentos para produzir reforços positivos na interação com os pais, o que a expôs a um critério exigente de desempenho para que pudesse ser reforçada. Evitava se expor a situações em que poderia produzir punições, desta forma, Rosana sempre foi considerada “certinha e tímida”. Os sentimentos e comportamentos de responsabilidade foram instalados e fortalecidos no repertório de Rosana. Os pais faleceram e Rosana continuou com excessivos sentimentos de responsabilidade, nas interações sociais e no âmbito profissional. Buscava a perfeição em todas as áreas. O processo psicoterapêutico teve como principal objetivo eliminar os sintomas da crise de pânico. Para tanto, o repertório comportamental da cliente precisou ser ampliado (incluindo maior variabilidade dentro das classes comportamentais) e fortalecido. Alguns dos objetivos do processo com Rosana foram aumentar sentimentos de autoconfiança e de autoestima, diminuir sentimentos de responsabilidade, ampliar habilidades sociais e enfraquecer o controle por autorregras disfuncionais foram alguns objetivos do processo com Rosana. Ao longo do processo foram aplicados procedimentos de apresentação de  instrução verbal, modelagem, reforçamento diferencial, extinção, descrição de CR e apresentação de SDs que levassem Rosana a  discriminar das Contingências de Reforçamento em operação, dentre outros, foram aplicados ao longo do processo. Rosana não mais apresentou crises de pânico e começou a se expor cada vez mais a novas CR.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); crises de pânico, autoconfiança; autoestima.