Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

A ANTIPRINCESA E SEU CASTELO DE AREIA: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

VANESSA SANTIAGO XIMENES

Luciana Maria Silva

Florença Lucia Coelho Justino

ITCR - Campinas.

Luciana (8), estudante no quarto ano do Ensino Fundamental de uma escola particular, era filha de Alexandra (35) e Fernando (50). Luciana era irmã de Mario (6), Luan (23) e Leo (24). Luan e Leo eram irmãos de Luciana apenas por parte de pai. Luciana morava com a mãe e Mario. A cliente foi encaminhada para psicoterapia pelas coordenadoras da escola três meses após a morte (por afogamento) de Fernando. Ele era sócio-diretor da escola em que os filhos estudavam e, após sua morte, Alexandra passou a trabalhar na escola, evento que teve possível função neutra, visto que a cliente e mãe pouco se encontravam na escola. As queixas relatadas pelas coordenadoras foram respostas agressivas de Luciana direcionadas aos colegas, como bater, ameaçar, verbalizar frases de agressão, como “vou te estrangular”. As dificuldades da cliente identificadas pela psicoterapeuta foram: verbalizações com fenótipo agressivo, insensibilidade ao outro, pouca discriminação das consequências dos comportamentos e responsabilização dos outros pelos efeitos destes, emissão de comportamentos da classe de se vitimar (dizer que ninguém a entendia) e excesso de comportamentos com fenótipo “rude” (como limpar o nariz em público). A história de Contingências de Reforçamento (CR) revelou que a cliente foi exposta a um ambiente inconsistente, no qual comportamentos (tanto desejados quanto indesejados) foram punidos indiscriminadamente. Por meio da análise das CR passadas, identificou-se excesso de punição e carência de estímulos com função reforçadora positiva. A cliente não foi exposta a CR que permitissem o desenvolvimento de sensibilidade ao outro, uma vez que seus familiares eram pouco sensíveis aos sentimentos de pessoas de seu contexto social e ao que seu comportamento causava no próximo, especialmente aos comportamentos desejados emitidos por ela. As CR atuais eram inconsistentes e punitivas, e mantinham comportamentos indesejados, além de não favorecer a instalação de classes de comportamentos desejados. Os objetivos psicoterapêuticos incluíram tornar a cliente consciente dos próprios comportamentos e das consequências que produziam, desenvolver comportamentos desejados que produzissem atenção e favorecessem a aproximação de pessoas, instalar comportamentos de sensibilidade ao outro. Foi possível observar que, eventualmente, a cliente passou a emitir em sessão comportamentos desejados, como verbalizar “obrigada”, “por favor”, sentar-se de maneira adequada, descrever comportamentos alternativos ao bater, discriminar os comportamentos que emitia e as consequências produzidas por eles, emitir comportamentos de ajuda ao irmão. Tais comportamentos não foram generalizados para o ambiente externo à sessão e uma hipótese levantada foi o baixo engajamento da mãe com o processo psicoterapêutico de Luciana.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); psicoterapia com crianças; contingências coercitivas.