Atividade: Comunicação oral (Pesquisa experimental aplicada)

 

FCT E DIMINUIÇÃO DE COMPORTAMENTOS DISRUPTIVOS EM CRIANÇAS COM TEA

 

RENATA CRISTINA MICHEL

Maria Eliza Mazzilli Pereira

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

 

 

Considerando os resultados de (a) Carr e Durand (1985), que apontam que houve redução da porcentagem dos intervalos de ocorrência de comportamentos disruptivos após a criança ser ensinada e emitir resposta verbal relevante na situação que evocava o comportamento disruptivo e ao mesmo tempo, o aumento da porcentagem dos intervalos com ocorrência de respostas verbais relevantes (mando); (b) Durand, V. M., & Carr, E. G. (1991), que, com base nos resultados da avaliação funcional, realizaram o Treino de Comunicação Funcional, no qual cada participante foi ensinado a pedir ajuda para a realização da tarefa e, no caso de Ben, também a solicitar atenção social. Na condição de tarefa difícil, a demanda era apresentada e seguida imediatamente por uma dica verbal de ajuda (ex: “diga: eu não entendi”); quando o participante emitia a resposta, esta era consequenciada pela ajuda. As dicas eram esvanecidas ao longo das sessões. Na condição de atenção, o participante foi ensinado a requisitar a atenção do adulto de forma apropriada (ex: “diga: eu estou fazendo um bom trabalho?”) e sua solicitação era consequenciada com atenção contingente por 10-15 segundos. Os resultados apontam que apontaram que, além da porcentagem do intervalo de ocorrência de comportamentos disruptivos ter sido inversamente proporcional ao aumento das requisições (mando) sem dica, o uso de respostas sem dica foi generalizado para diferentes estímulos (professores e sala de aula) e mantido por longos períodos; (c) do estudo de Durand, V. M., & Carr, E. G. (1992), que mostra que  o procedimento de time-out mostrou-se ineficiente para generalização diante de experimentadores ingênuos, enquanto que o procedimento de Treino de Comunicação Funcional (FCT) manteve baixa a porcentagem de intervalo de emissão de comportamentos disruptivos mesmo diante do experimentador ingênuo; (d) Lalli, J. S., Casey, S., & Kates, K. (1995), que apontam que a taxa de comportamentos disruptivos manteve-se baixa durante o procedimento de respostas em cadeia, aumentando a tolerância do participantes à realização da tarefa, o presente estudo tem o objetivo de replicar Durand, V. M., & Carr, E. G. (1991) e verificar os efeitos do Treino de Comunicação Funcional (FCT) sobre a frequência de comportamentos disruptivos e o tempo de permanência nas tarefas para três sujeitos entre 2 e 6 anos com diagnóstico de TEA. Posteriormente, verificar se ocorre generalização da emissão da resposta verbal e do tempo de permanência na tarefa em outro ambiente (casa ou escola) e diante de experimentadores ingênuos. Em particular, o presente estudo verificará a eficácia do Treino de Comunicação Funcional (FCT) para a diminuição da frequência de comportamentos disruptivos com função de mando por fuga ou esquiva de demanda previamente apontadas pela Avaliação de Escala de Motivação (MAS). Para avaliar o tempo de permanência na tarefa, será utilizado diminuição gradativa da dica (fading out) para realização de demandas inicialmente aversivas. Para avaliar a generalização, o presente estudo utilizará algumas estratégias listadas por V. M., & Carr, E. G. (1992). Entre elas, comparar a porcentagem de intervalos de emissão da resposta verbal (mando) e do tempo de permanência na tarefa diante de um experimentador ingênuo em outro ambiente (escola).

 

Palavras-chave: Autismo; comportamento verbal; comunicação; Treino de Comunicação Funcional (FCT); comportamentos disruptivos.