Atividade: Comunicação Oral

 

 

ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO E MANEJO DAS CONTINGÊNCIAS

MANTENEDORAS DOS DÉFICITS EM REPERTÓRIOS SOCIAIS: UM ESTUDO CLÍNICO À LUZ DA TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

RAFAEL SARTO MULLER

Priscilla de Oliveira Moura de Paiva

Núcleo Terapêutico de Psicologia Comportamental (NTPC)

 

Hefesto (30) era solteiro, portador de hemiparesia direita, formado em psicologia, servidor público atuante em área administrativa. Depois de permear por vários processos psicoterapêuticos e ter feito uso de medicamentos, sem sucesso, iniciou processo psicoterapêutico de acordo com a TCR intraconsultório e contou com a atuação do Acompanhante Terapêutico (AT) para modelar novos comportamentos  no campo das Habilidades Sociais (HS), necessidade identificada para manejo dos comportamentos-problema identificados. Hefesto queixava-se de baixos sentimentos de autoestima e autoconfiança, alta ansiedade no contato social e “desânimo”. Tais comportamentos, somados ao relato verbal do cliente, evidenciaram que ele estava em contato com Contingências de Reforçamento (CR) prioritariamente aversivas, tais como: críticas do pai por sair de casa apenas para trabalhar, predição excessiva da mãe sobre riscos em sair de casa e abusos morais do chefe no ambiente de trabalho ao acusar a equipe de roubo de materiais de almoxarifado. Em termos de HS, o cliente apresentava um padrão de comportamentos inassertivos,  especialmente no ambiente familiar, com os pais, reduzindo possibilidade de diálogos e conflitos, e laboral, sendo aí conhecido como "bom subordinado". Os comportamentos com fenótipo agressivo caracterizavam-se pela elevação excessiva do volume de voz e fixação prolongada do olhar, opostamente ao padrão comportamental de evitação total do contato visual, emitidos quando sob forte ansiedade. Comportamentos classificados como "passivos", quando na presença de comportamentos classificados como "agressivos" emitidos pelos interlocutores do ambiente social, tendem a permitir que estes atinjam os seus objetivos prontamente e façam cessar rapidamente a interação, retirando os estímulos aversivos que incidem sobre o sujeito, até que sejam modelados novos ciclos de reforçamento negativo para o cliente. Foi aplicado também o Inventário de Habilidades Sociais (IHS-Del-Prette) (Del Prette e Del Prette, 2009), cujo resultado corroborou a identificação dos déficit de HS. Considerando o conjunto de CR aversivas intimamente ligadas aos comportamentos passivos emitidos pelo cliente, objetivou-se com a psicoterapia: ampliar repertório de comportamentos que produzissem reforço positivo em contextos diversos e colocar em extinção comportamentos de fuga-esquiva em situações de enfrentamento assertivo diante dos contextos familiares e laboral. A intervenção com AT constituiu-se em: a) AT sustentar conversação com Hefesto e descrever, posteriormente, as contingências e os comportamentos que favorecem o prolongamento da interação verbal, introduzidos pelo AT no contexto da conversação, reduzindo a aversividade das interações sociais; b) AT questionar  o cliente sobre as contingências observadas por ele em seu ambiente social e, conjuntamente, discutirem as contingências identificadas por ambos no próprio ambiente, condição possível apenas com a ação do AT, ampliando a capacidade de observação destas contingências por Hefesto e aumentando, pois, sua sensibilidade a elas; c) treinamento das contingências não-verbais envolvidas nas interações sociais por modelagem e modelação; d) realizar bloqueio de esquiva do cliente perante situações novas. Atualmente Hefesto ainda encontra-se nesse processo e, até o momento, reduziu-se o excesso de comportamentos inassertivos, reduziu-se a intensidade dos comportamentos agressivos e elevou-se a frequência dos comportamentos assertivos.

 

Palavras-chave: Acompanhante Terapêutico, Habilidades Sociais, comportamentos assertivos, Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR)