Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

 

COURAÇA SOBRE A PELE: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

NATÁLIA BENINCASA VELLUDO

Camila Negreiros Comodo

ITCR-Campinas

 

Victor (48) era transgênero masculino (i.e., sexo biológico feminino). A maior parte de sua família era falecida e ele estava afastado de sua irmã e do sobrinho havia muito tempo. Após terminar um relacionamento de 14 anos, ele estava solteiro e morando sozinho. Victor era técnico em enfermagem e trabalhava em um serviço de emergência. Ele procurou psicoterapia por indicação de uma amiga, que julgava que ele não estava bem. O próprio cliente discordava dela, embora concordasse que apresentava algumas dificuldades em relacionamentos interpessoais (agressividade) e com o seu planejamento de vida. Ao longo da psicoterapia, foi possível analisar que o cliente apresentava um padrão de comportamento passivo-agressivo, além de comportamento prioritariamente controlado por regras, que o levava a se comportar de modo não adaptativo (e.g., não se permitir esmorecer, trabalhar em excesso, responsabilizar-se pelos outros). Além disso, o cliente tinha pouco acesso a reforçadores, uma vez que seu engajamento em atividades de lazer era ocasional. A condição de transgênero não era um problema para Victor, uma vez que os procedimentos médicos realizados permitiram adequar o seu corpo à sua identidade de gênero. Dessa forma, os objetivos da psicoterapia com Victor foram: estabelecimento de vínculo psicoterapêutico, desenvolvimento de repertório assertivo, enfraquecimento do controle por regras e aumento do controle pelas contingências de reforçamento (CR), bem como aumentar a frequência de comportamentos de lazer e desenvolver repertório de planejamento. Os procedimentos utilizados para atingir esses objetivos incluíram: reforço diferencial de verbalizações acerca de si mesmo; descrição dos conceitos de assertividade, passividade e agressividade; descrição e análise de CR e regras disfuncionais do cliente; treinamento de comportamentos assertivos; apresentação de instruções e modelos. No segundo mês de psicoterapia, o cliente passou a demonstrar engajamento e estabelecimento de vínculo psicoterapêutico. Após 15 meses de psicoterapia, os seguintes resultados foram obtidos: seguimento de regras que a psicoterapeuta emitia; discriminação entre três tipos de comportamentos de relacionamento interpessoal (assertivo, agressivo e passivo); melhora no repertório de comportamentos assertivos; tornar-se mais flexível em algumas regras disfuncionais do cliente (i.e., não poder faltar ao trabalho, ser responsável pelos outros). Houve uma melhora modesta no repertório de comportamentos relacionados a lazer e os avanços em termos de organização foram muito limitados. O cliente se manteve em psicoterapia, e continuaram como objetivos: promover assertividade; levá-lo a se envolver em atividades reforçadoras e desenvolver habilidades de planejamento de vida – uma vez que o cliente deve se aposentar nos próximos anos.

 

 

Palavras-chave: assertividade; controle por regras; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).