Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA ÀS NECESSIDADES ESPECIAIS: UM ESTUDO DE CASO

MARCOS DE SANDI DUQUE

Marta Morgado Pereira Valente

Universidade de Mogi das Cruzes

O presente estudo refere-se ao atendimento realizado com cliente de 23 anos, diagnosticado com Retardo Mental Leve e Paralisia Cerebral, dado quadro de Anoxia Perinatal. Foram realizados 26 atendimentos, em estágio supervisionado, na Clínica Escola da universidade, em um intervalo de um ano. Foram feitas entrevistas com a genitora, atendimentos individuais com o cliente, atendimento extra consultório, visita domiciliar, atendimento conjunto familiar e orientações familiares quinzenais. A genitora relatou queixas de constantes brigas entre o cliente e seu irmão de 26 anos (também com necessidades especiais), bem como comportamentos de gritar, bater e quebrar objetos. Foi observado pelo psicoterapeuta déficit no repertório verbal, uma vez que usava apenas um único termo para se referir a desejos e dificuldade na coordenação motora fina e grossa. A análise funcional permitiu identificar pouca estimulação familiar, uma vez que, ao emitir uma única palavra, os familiares consequenciavam este comportamento com reforçadores positivos, atendendo os desejos do cliente, além da ausência de regras na residência. Os comportamentos de gritar, bater e quebrar objetos, eram controlados por consequências equivalentes, pois, ao serem emitidos, os familiares consequeciavam com reforçadores positivos e/ou negativos, fosse eles atenção, ou mesmo deixar de fazer algo que desagradasse o cliente, o que fortalecia o déficit no repertório verbal e excesso l de comportamentos indesejados. O cliente apresentava demasiada recusa em executar as tarefas propostas nas sessões. Desta forma, estabeleceu-se como objetivos desenvolver os comportamentos controlados por regras e ampliar o repertório verbal. Foi elaborado quadro de regras, com figuras que descreviam detalhadamente os comportamentos que deveriam  ou não ser emitidos pelo cliente.Os familiares deveriam consequenciar com estímulos com possível função reforçadora positiva (elogios, atenção etc.) e explicitar como o cliente deveria ou não se comportar; apresentação de estímulos discriminativos de letras, números e palavras; apresentação de modelo para estimular que o cliente verbalizasse com o maior número de palavras possíveis, seus desejos, com liberação de reforçadores positivos, inicialmente com razão fixa e posteriormente com razão intermitente, para a emissão destes. Adotou-se canetas e música como reforçadores arbitrários, por serem reforçadores de alta magnitude previamente testados . Ao fim dos encontros, observou-se e foi relatado pela genitora: diminuição de comportamentos de brigar, bater e quebrar objetos, bem como uso de maior número de palavras para verbalizar desejos e maior interação entre cliente-psicoterapeuta.

Palavras-chave: Análise do Comportamento, Necessidades Especiais, Comportamento Governado por Regras, Retardo Mental, Paralisia Cerebral.