Atividade: Comunicação Oral

 

DON JUAN DE MARCO: PADRÃO DE COMPORTAMENTO LIMITADO ÀS INTERAÇÕES AMOROSAS - ESTUDO DE CASO EM TCR

 

JOICE RIBEIRO SOUZA

ITCR Campinas

 

O presente estudo de caso em Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) teve como sujeito Juan (28). Ele morava com amigos  em uma cidade próxima a dos pais desde 2009. O cliente mantinha pouco contato com a família e os visitava aproximadamente uma vez por mês. Era formado em técnico de desenvolvimento web e trabalhava em uma empresa de TI. O cliente relatou necessidade de começar psicoterapia após ter sido expulso de casa, quando contou para a família que era homossexual e por se sentir sozinho após o fim dos relacionamentos amorosos. As dificuldades do cliente estavam relacionadas a dependência nas relações com os namorados, na dificuldade de se relacionar com seus familiares, nos comportamentos de dependência química e em dificuldades de planejamento financeiro. Através da História de Contingências de Reforçamento (HCR) foi possível observar que Juan manteve-se mais próximo de sua mãe, a qual o reforçava positivamente quando ele a auxiliava nos afazeres domésticos e em outras atividades com ela. Em contrapartida o irmão de Juan era reforçado livremente e recebia benefícios pelos quais Juan teve que se comportar para ter acesso. Diante deste cenário Juan sentia diferença no modo como a família o tratava. Somado a isso, ele foi expulso de casa, após a família ter informação sobre a sua homossexualidade. O contexto escolar expôs Juan a contingências coercitivas, com uma pobreza de modelos adequados. Isso produziu sentimentos como raiva e ele aprendeu a se comportar de maneira agressiva. Ao terminar o Ensino Médio Juan se mudou para cidade que mora atualmente. Nesta cidade ele teve acesso a reforçadores positivos como a independência de morar longe dos pais e momentos de envolvimento amorosos com diferentes rapazes. Embora os envolvimentos amorosos fossem reforçadores para Juan, eles o restringiam a um padrão de comportamento limitado às interações amorosas e o cliente não se comportava em outros contextos sociais para produzir outros reforçadores. Os objetivos psicoterapêuticos foram: ensinar o cliente a discriminar as contingências em operação no seu ambiente, reduzir as respostas de dependência química, gerar consequências reforçadoras positivas no contexto do trabalho, desenvolver planejamento financeiro, ampliar o repertório social e aumentar o contato com a família e diminuir o comportamento sedutor e ter relações além dos envolvimentos amorosos. Para atingir estes objetivos os procedimentos psicoterapêuticos empregados foram principalmente análise de contingências de reforçamento e instrução verbal. Como resultados o cliente conseguiu discriminar contingências em operação, diminuiu as respostas de uso de psicotrópicos, teve maior envolvimento no trabalho, iniciou curso superior, avaliou sua situação financeira, teve maior contato com os familiares e emitiu comportamentos além do contexto amoroso.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), autocontrole, dependência química.