Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)    

 

“EU NÃO SEI O QUE ACONTECE” - ENSINANDO DISCRIMINAÇÃO DE CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO PARA O CLIENTE

JÉSSICA DE ALMEIDA DIAS

ITCR - Campinas

O presente estudo de caso apresenta o processo psicoterapêutico de Juliana (25), filha única de pais separados. Juliana morava com a mãe, cursava mestrado e trabalhava como técnica de laboratório. A cliente apresentou como queixas: constantes enxaquecas, dificuldades para lidar com seu ambiente de trabalho e problemas nas relações com os pais - especialmente na relação com a mãe -, relatando sentimentos de “sobrecarga” e culpa. Quando Juliana tinha oito anos, sua mãe sofreu um acidente de carro e ficou paraplégica. Três anos depois, seu pai mudou-se de casa, e Juliana passou a ser a principal cuidadora de sua mãe. O histórico de abandono pelo pai e as obrigações que precisou assumir produziram na cliente sentimentos de baixa autoestima e sentimentos de responsabilidade pela mãe, dificultando o desenvolvimento de seu repertório social. As principais dificuldades da cliente eram: déficits de sentimentos e de comportamentos de autoconfiança no trabalho e de sentimentos e de comportamentos de autoestima; escassez de reforçadores positivos naturais; déficit no repertório social; e respostas ineficazes de contracontrole diante das exigências de sua mãe e do trabalho. Todas essas dificuldades fizeram com que Juliana tivesse poucas atividades de lazer, além de apresentar excessiva preocupação com seu desempenho no trabalho. Além disso, Juliana não discriminava de forma compatível com as contingências de reforçamento (CR) em operação, em seu trabalho e em sua relação com seu chefe, o que a deixava bastante insegura e com a percepção de que tinha um mau desempenho, temendo uma demissão, consequentemente. Por essa razão, mesmo tendo recursos financeiros, a cliente não conseguia comprar um carro ou pagar por cursos que gostaria de fazer, se esquivando de adquirir dívidas que poderia não conseguir pagar. A cliente também apresentava muita insatisfação com seu trabalho na época, porém não se sentia capaz de conseguir outro emprego, não se candidatando para outras vagas, por exemplo. Os principais objetivos do processo psicoterapêutico foram: produzir melhor discriminação das CRs em operação; desenvolver repertório social para aumento dos comportamentos e de sentimentos de autoestima; desenvolver respostas desejadas de fuga-esquiva e de contracontrole; e levar a cliente a produzir mais reforçadores naturais. Para isso, foram utilizados principalmente descrição e análise de CR; instrução verbal e apresentação de modelos de comportamentos desejados. O processo psicoterapêutico teve ao todo 58 sessões, e como resultados principais pode-se apontar repertório social mais desenvolvido e melhor discriminação das CRs. A cliente passou a ter mais contato com amigos, começou a namorar, comprou um carro, conseguindo, inclusive, dirigir sozinha, e mudou de emprego, por meio da aprovação em um processo seletivo ao qual se candidatou.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); discriminação de CRs, desenvolvimento de repertório social.