Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)

 

CONTINGÊNCIAS FAMILIARES COERCITIVAS E SUAS IMPLICAÇÕES: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

IZABEL CRISTINA DE OLIVEIRA

Fabiana Pinheiro Ramos

UFES

História de Contingências de Reforçamento (HCR) passadas e de Contingências de Reforçamento (CR) atuais operando conjuntamente produzem os padrões comportamentais característicos de cada pessoa. Quando exposta a uma HCR coercitiva intensa e frequente, a pessoa pode apresentar déficits e excessos comportamentais. Em uma perspectiva comportamental, a análise da HCR e das CR atuais pode explicar os padrões comportamentais relatados pelos clientes ao procurarem a psicoterapia. Analisou-se a HCR nas interações familiares de uma cliente, aqui denominada Mariana (22 anos, solteira, estudante universitária), em Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) há mais de um ano em uma clínica-escola vinculada à universidade em que estuda. Mariana relatou como queixas iniciais: episódios frequentes de ansiedade, com tremores, dores de cabeça, taquicardia e vômitos; dificuldades de relacionamento com a mãe e o irmão; dificuldades relacionadas ao contexto universitário, como alto número de reprovações em disciplinas; e dificuldades em relacionar-se interpessoalmente com amigos neste contexto. Segundo Mariana, sua mãe foi diagnosticada com TOC, apresentando obsessões e compulsões relacionadas à limpeza e submetia-se a acompanhamento psiquiátrico e psicológico sem regularidade. A cliente descrevia a mãe como alguém difícil de se relacionar, pois evitava contato com a família e amigos, responsabilizava a cliente e  o pai da cliente pelo agravamento dos sintomas do TOC e pelas discussões dentro de casa, criticava e punia as decisões da cliente de forma arbitrária. Com relação ao irmão, Mariana relatava episódios frequentes de punição verbal e física impostas por ele. A análise funcional evidenciou que Mariana vivenciou uma história de contingências coercitivas, sendo punida severamente, na maioria das vezes de forma arbitrária, sobretudo pela mãe e pelo irmão. Tal história produziu déficits como dificuldade em relacionar-se interpessoalmente, comportamentos imaturos para sua idade; e excessos comportamentais como preocupações excessivas com o que as pessoas iriam pensar ou sentir em relação à forma como se comportava, autorregras “disfuncionais” relacionadas à sua responsabilidade em ajudar os outros, à sua competência para realizar atividades ou tomar decisões, ao seu futuro profissional e ao seu relacionamento com as pessoas. A cliente realizou, até o momento, 37 sessões de psicoterapia, e continua em atendimento. Como objetivos psicoterapêuticos podem ser mencionados: desenvolver repertório de contracontrole em relação aos comportamentos punitivos de sua mãe e irmão; desenvolver autorregras mais funcionais; incentivar e modelar repertórios sociais mais adequados aos contextos em que está inserida; fortalecer o vínculo familiar com o pai e com os demais membros de sua família; dentre outros.

Palavras-chave: História de Contingências de Reforçamento Coercitivas; Coerção; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).