Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

"COM AÇÚCAR, COM AFETO": ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR
CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

GISELE DIAS MACHADO BUENO

 

Florença Lúcia Coelho Justino

 

ITCR-Campinas

 

Gustavo (9), filho caçula de uma família de três irmãos, cursava quarto ano do Ensino Fundamental em uma escola particular. Desde a separação dos pais, ocorrida em janeiro de 2015, passou a morar com a mãe, Mariana (43), e o irmão do meio, Pedro (16). Gustavo foi trazido à psicoterapia seis meses depois dessa separação e a queixa principal relatada pela mãe foi de que, após ter presenciado uma briga entre avó paterna e pai, Gustavo começou a apresentar encoprese, ansiedade e agressividade no trato com as pessoas. Gustavo não apresentou à psicoterapeuta uma queixa específica, disse que ele não era muito bom na escola. As dificuldades do cliente identificadas pela psicoterapeuta foram: baixa discriminação dos próprios sentimentos/estados corporais e da relação destes com as CR em operação e dificuldade de emitir tatos verbais sob controle do que sentia; baixa tolerância à frustração; excesso de comportamentos de fuga-esquiva (FE) diante de situações e assuntos que lhe eram desconfortáveis e/ou apresentavam um alto custo de resposta; baixo repertório de comportamentos e sentimentos de autoestima; dificuldade em emitir tatos sob controle dos eventos e acontecimentos do dia a dia; uso excessivo de recursos verbais (autoclíticos) com fenótipo de ênfase para colocar o ouvinte sob controle do seu relato verbal. A história de contingências de reforçamento (CR) revelou que após a separação dos pais de Gustavo, este passou a ter acesso a vários reforçadores livres em sua vida, o que contribuiu para sua baixa tolerância à frustração, comportamentos de ansiedade e baixa autoestima. A mãe de Gustavo não ficava sob controle das necessidades do filho, deixando evidente o uso de práticas parentais negativas. Gustavo, em contrapartida, apresentava variabilidade comportamental que produzia a atenção materna e de outros para si. As CR atuais mantinham essa variabilidade, pois a emissão de tais comportamentos, embora indesejáveis, produzia atenção social (ainda que dessa forma a possibilidade de emissão de comportamentos desejáveis se enfraquecesse). Os objetivos psicoterapêuticos foram: ampliar repertório de discriminação do cliente sobre as CR em operação em sua vida; instalar relatos verbais (tatos) sob controle do que sentia e sob controle de outros eventos ambientais; colocar o cliente sob controle dos próprios sentimentos; desenvolver e instalar repertório de maior tolerância à frustração; enfraquecer respostas de fuga-esquiva indesejadas; ampliar o repertório de resolução de problemas; instalar comportamentos de discriminação de regras em diferentes contextos; desenvolver comportamentos e sentimentos de autoestima; colocar o cliente sob controle de seus comportamentos e das consequências produzidas; enfraquecer o uso de autoclíticos com fenótipo de exagero; orientar a mãe e fortalecer práticas parentais. Foi possível observar posteriormente, que o cliente passou a emitir relatos verbais sob controle do que sentia; melhorou seu desempenho escolar; desenvolveu tolerância à frustração; fortaleceu sentimentos e comportamentos de autoestima; discriminava as CR em operação e a relação entre o comportamento emitido e as consequências produzidas para si e para as outras pessoas; ficou mais sob controle das regras e orientações apresentadas por alguns adultos.


Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento
(TCR); práticas parentais, comportamentos indesejados, encoprese.