Atividade: Comunicação Oral

SUPERANDO OBSTÁCULOS DA TERAPIA DE EXPOSIÇÃO POR MEIO DA INTEGRAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO

DANIEL AFONSO ASSAZ

Claudia Kami Bastos Oshiro

Universidade de São Paulo

A exposição tem sido um procedimento psicoterapêutico de imensa importância dentro da Análise do Comportamento Aplicada desde os seus primórdios, na Modificação de Comportamento. Atualmente, a exposição (em suas diversas variações: gradual/intensa, in vivo/por imaginação) é um componente central da Clínica Analítico-Comportamental, que tem repetidamente demonstrado eficácia. Entretanto, a aversividade envolvida no procedimento acarreta a desistência de um número considerável de clientes e a relutância de diversos psicoterapeutas em utilizar a exposição como ferramenta clínica, diminuindo assim sua efetividade. Dada a grande amplitude da Clínica Analítico-Comportamental, é possível que outros procedimentos possam ser incorporados à exposição de forma a contribuir à adesão por parte de psicoterapeutas e clientes e aumentar a efetividade desse procedimento. Neste sentido, princípios derivados da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), como clarificação de valores, aceitação e desfusão cognitiva podem ser úteis em auxiliar o clínico analítico-comportamental. Para ilustrar a integração entre a exposição e princípios da ACT, são descritos os recortes de dois casos clínicos. O primeiro é o caso de Mariana, estudante de Veterinária, que procurou psicoterapia após um episódio de crise de ansiedade durante uma aula de anestesia. A análise do repertório da cliente indicou um excesso de respostas de ansiedade, fuga e esquiva diante de procedimentos médicos e veterinários que envolvessem o uso de agulhas. A análise da história de Contingências de Reforçamento (CR) da cliente indicou a presença de um episódio de intensa aversividade em um tratamento médico durante a infância. Os objetivos terapêuticos foram o aumento do controle das consequências das respostas de aproximação e esquiva de procedimentos com agulha; e a emissão de respostas alternativas, como observação, descrição e validação diante de tais procedimentos. Já Carlos, estudante de curso de Exatas, procurou psicoterapia com queixa de comportamentos obsessivos e compulsivos. A análise do repertório do cliente indicou a presença de forte controle de autorregras que evocavam respostas de ansiedade e esquiva diante de uma variedade de estímulos antecedentes: objetos sujos, janelas, portões, equipamentos de laboratório, contato sexual, entre outros. A análise da história de CR indicou uma extensa história de punição social por parte do pai pai (agressão e culpabilização) não contingente a uma classe específica de respostas de Carlos. Os objetivos psicoterapêuticos foram o aumento do controle das consequências das respostas de esquiva e aproximação diante dos estímulos temidos; a redução do controle das autorregras; e a emissão de respostas de aproximação diante dos estímulos temidos.

Palavras-chave: exposição; Terapia de Aceitação e Compromisso; processo de mudança; ansiedade.