Atividade: Comunicação Oral (Estudo histórico)

 

TERAPIA COMPORTAMENTAL: UMA DISCUSSÃO SOBRE O SURGIMENTO DA ÁREA

CAROLINE DA CRUZ PAVAN CÂNDIDO

Carmem Beatriz Neufeld

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP)

Os resultados de revisão sistemática apresentada pelas autoras sobre as denominações das terapias de base comportamental e cognitiva, na edição passada do presente congresso, indicaram a existência de uma variedade de nomenclaturas para as mesmas práticas e diferentes práticas incluídas na mesma nomenclatura. Investigação histórica subsequente demonstrou que Terapia Comportamental (TC) foi o primeiro termo utilizado, por três diferentes autores, em três diferentes países: Lindsley, Skinner e Solomon, nos EUA, em 1953; Lazarus, na África do Sul, em 1958; e Eysenck, na Inglaterra, em 1959. Diante disso, este trabalho tem como objetivo apresentar as características da prática denominada TC em cada um dos textos indicados como os primeiros a utilizarem o termo. Lindsley, Skinner e Solomon utilizaram-no para se referir aos experimentos realizados para testar a hipótese de que o comportamento psicótico é operante. Pacientes psicóticos, internados em hospital psiquiátrico, sem apresentar mudança comportamental, foram submetidos a sessões experimentais, em que tinham a oportunidade de pressionar uma alavanca e obter, como consequência, doces e cigarros. Foi observado aumento de frequência da pressão à alavanca, confirmando a hipótese sobre a natureza operante do comportamento. Os autores concluíram que as mudanças decorrentes do experimento são o tipo de mudança requerida na psicoterapia. Lazarus referiu-se à TC como uma nova psicoterapia behaviorista, cujos conceitos eram derivados de experimentos de laboratório e as ferramentas terapêuticas das leis da aprendizagem. Os destaques de sua proposta são diretividade, aplicação de técnicas e métodos efetivos, substituição do foco no passado pelo foco na eliminação do comportamento-problema, e velocidade de melhora do cliente. Não havia preocupação em buscar as causas, já que o problema poderia ser modificado sem descobri-las. A cura era acompanhada por mudanças na personalidade consideradas aprendizagem. Eysenck se refere à TC como sendo um método alternativo à psicanálise para tratamento das neuroses, como ansiedade. A intervenção consiste basicamente na extinção do condicionamento, em caso da apresentação de respostas chamadas por ele de excedentes, ou na construção de novas conexões estímulo-resposta, no caso de deficiências de condicionamento. Refere-se à proposta de Wolpe como uma das propostas da área e justifica a denominação TC, pois propõe tratar o comportamento e não a psique, como a psicoterapia. Pode-se observar que, desde sua origem, a TC não conta com uma definição única, destacando-se, desde então, as intervenções baseadas especialmente nos princípios operantes em oposição àquelas baseadas nos princípios respondentes.

Palavras-chave: pesquisa histórica; terapia comportamental; Análise do Comportamento; terapia analítico-comportamental.