Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)

COMPULSÃO SEXUAL COMO FUGA-ESQUIVA: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO

 

AMANDA GONÇALVES  

Fabiana Pinheiro Ramos

Universidade Federal do Espírito Santo

 

Analisaram-se os comportamentos da classe “compulsão sexual” em um cliente, aqui denominado João (25 anos, solteiro, estudante universitário), em Terapia por Contingências de Reforçamento há um ano em uma clínica-escola da mesma instituição em que estuda. Os atendimentos eram realizados no âmbito de um Projeto de Extensão em Clínica Analítico-comportamental, sendo conduzidos por estagiária do 8º período do Curso de Psicologia, sob supervisão da professora responsável. No início da psicoterapia, o cliente relatou se masturbar de 3 a 4 horas por dia, praticamente todo o tempo em que ficava sozinho em casa; e ter encontros de cunho sexual com uma mulher casada, todos os dias. As verbalizações do cliente em sessão indicavam intenso sofrimento e ansiedade ligados a esta queixa, um excesso comportamental. O cliente relatava não sentir prazer nos atos sexuais, apenas alívio, e ficava muito sob controle de suas expectativas de desempenho na relação sexual. Além dos comportamentos ligados à compulsão sexual, João relatou como queixas: constantes tremores nas mãos e várias reprovações nos últimos dois semestres na faculdade. A análise das contingências de reforçamento (CR) evidenciou que João apresentava um repertório caracterizado pela emissão de diversos comportamentos de fuga-esquiva em relação aos ambientes sociais. Evitava conversar ou sair com os colegas da faculdade; seus relacionamentos afetivos eram com mulheres bem mais velhas e que não faziam parte do seu ambiente social; verbalizava que seu irmão era anti-social e não havia espaço para aproximação entre ambos. A compulsão sexual de João foi analisada, de forma geral, como um repertório de fuga-esquiva das interações sociais. A psicoterapia teve como principal objetivo a ampliação do repertório de interação social do cliente e a redução dos excessos caracterizados como compulsão sexual. Para o alcance de tais objetivos, a psicoterapeuta buscou: em primeiro lugar, fortalecer a relação psicoterapêutica por meio da emissão de comportamentos verbais e não-verbais que indicassem acolhida e empatia; sensibilizar o cliente para outras fontes de reforço social disponíveis: colegas de sala, professores, família e modelar um repertório mais adequado para tais interações; criar oportunidades para que o cliente falasse sobre suas preocupações em relação ao desempenho sexual. Foram realizadas 38 sessões até o momento, e o cliente continua em atendimento, já demonstrando algumas melhoras como: diminuição considerável da frequência do comportamento de masturbação (menos de uma hora por dia), melhora no desempenho na faculdade, aumento da interação com amigos e professores, além de melhor convivência com a família.

Palavras-chave: Fuga-esquiva; compulsão sexual; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).