Atividade: Comunicação Oral

 

DJANGO LIVRE: A TENTATIVA DE LIBERTAR UM USUÁRIO DE DROGAS MESMO COM UMA DIFÍCIL HISTÓRIA DE CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO

ABILIO CORADI FILHO

Tatiana Lance Duarte

ITCR- Campinas-

Django (17) era solteiro e residia com seu pai (59) e seus irmãos Dário (29), Jonas (19), Maria (18) e Joca (15). Sua mãe morreu aos 53 anos, quando o cliente tinha quinze anos. O cliente morou durante a infância em uma favela na capital do Estado onde conviveu intensamente com o crime. Django procurou a psicoterapia porque não conseguia ser aprovado em entrevistas de emprego. Apresentava as seguintes dificuldades comportamentais: comportamentos ansiosos (gesticulava muito e pronunciava palavras e frases pela metade) em seu relato verbal, fala repleta de gírias, baixa tolerância às crises familiares, o que eventualmente o levava a vender e usar drogas. Muitos de seus comportamentos foram aprendidos com integrantes do tráfico e Django demonstrava dificuldades para consequenciar e contracontrolar comportamentos dos outros que lhe eram aversivos, principalmente nas abordagens policiais. A dependência química evidenciava suas dificuldades comportamentais e reduzia todo seu repertório de comportamentos socialmente desejados. O cognome Django foi escolhido em consonância com o filme de Quentin Tarantino, “Django Livre”, que conta a história de um escravo que foi liberto por um dentista que atuava como caçador de recompensas. O diretor quis mostrar no filme a mudança de comportamento por parte do herói, Django, deixando um estigma imposto pela sociedade da época, de que não servia para mais nada além de ser escravo, e se tornou um caçador de recompensas. A despeito de não poder traçar um objetivo inicial, pela inviabilidade de identificar quais as variáveis que operavam em sua vida, Django, apresentou mudanças de comportamentos que o tiraram da escravidão do uso de drogas e de todas as Contingências de Reforçamento (CR) que operavam na sua vida. Para que esta mudança ocorressem, os objetivos terapêuticos que surgiram, segundo a demanda que se apresentava a partir de cada sessão, incluíram que o cliente deveria reconhecer e discriminar estímulos eliciadores, que o levavam a usar drogas; identificar reforçadores alternativos diferentes daqueles disponíveis no comércio de drogas. O psicoterapeuta utilizou variados procedimentos que incluíram principalmente modelagem, instrução verbal, ensaio comportamental, descrição de CR, controle de estímulos, reforçamento positivo. Django desenvolveu autoconhecimento, autocontrole e repertório social adequado. As regras rígidas impostas pelo crime foram gradualmente substituídas por comportamentos diversificados para os mais diferentes estímulos.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); uso de drogas; recuperação; mudanças de imagem social.