Atividade: Sessão Coordenada

A FRAGILIDADE DO VÍNCULO PSICOTERAPÊUTICO COM UMA CLIENTE DIAGNOSTICADA COM TRANSTORNO BIPOLAR: UM ESTUDO DE CASO EM TCR

 

TATIANA LANCE DUARTE

ITCR - Campinas

 

Teodora(42), pós-graduada, bem sucedida profissionalmente, casada há 06 anos com Adolfo (43), engenheiro, viajava a trabalho frequentemente e não tinha filhos. Queixa inicial: “Sempre tive crises de depressão e faz 10 anos que fui diagnosticada com transtorno bipolar. Fiz terapia a vida toda. Já passei por vários terapeutas e estou cansada de eles não me compreenderem. Não sei se vou ficar. Gostaria de saber como você trabalha para não perder o nosso tempo”. A partir dessa verbalização, a psicoterapeuta ficou sob controle da desconfiança e desânimo de Teodora em relação a processos psicoterapêuticos e discriminou que a relação a ser construída nesse novo processo psicoterapêutico seria determinante para o prognóstico do caso. Iniciado o processo, os relatos da cliente em sessão eram permeados de verbalizações com conteúdo de sofrimento, alternados por falas eufóricas ou apáticas e com muitas alterações de humor. No processo psicoterapêutico,foi identificado o desejo e tentativas de Teodora de ser mãe, além disso, seu casamento, a atuação profissional e a relação que mantinha com os pais eram motivos de conflitos. A psicoterapeuta solicitou a Teodora a descrição de tais interações e as dificuldades da cliente ficaram evidentes. Ela não conseguia estabelecer uma comunicação afetiva e assertiva com o marido, sendo muitas vezes agressiva verbalmente; emitia comportamentos com a função de tentar controlar os pais; tinha dificuldades de relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho; sentimentos baixa autoestima; baixa tolerância à frustração; e rejeitava orientações da psicoterapeuta quando divergiam de suas autorregras. Objetivos com Teodora: 1. descrever adequadamente os comportamentos emitidos por ela e as funções que tinham para o marido; 2. identificar os sentimentos existentes nas interações com os pais; 3. tornar-se sensível aos efeitos aversivos que seus comportamentos exerciam sobre o marido, pais e colegas de trabalho; 4. explicitar as regras que governavam seus comportamentos; 5. desenvolver repertório de comportamentos com função reforçadora positiva na relação com o marido; 6. instalar repertórios de contracontrole no ambiente profissional; 7. instalar repertórios de sensibilidade ao outro e 8. analisar a resistência às intervenções da psicoterapeuta. Os resultados foram: a comunicação tornou-se mais assertiva e amena com o marido, evidenciou-se a impossibilidade de ser mãe e houve uma melhora na relação com os pais. No entanto, para atingir tais resultados, a psicoterapeuta precisou intervir sempre de modo cauteloso e gradual e, ainda assim, durante as sessões, Teodora questionava sua real necessidade de mudar e expressava descontentamentos com as análises da psicoterapeuta dizendo: “Não sei se esse é o foco da terapia. Eu tenho que mudar, e os outros?”. Após 03 anos e meio de psicoterapia, a cliente decidiu por interromper o processo emitindo verbalizações inassertivas e sem expressão de afetividade, tais como: “vou parar a terapia para estudar para o processo seletivo do doutorado que irei prestar e quando tiver mais tempo eu retorno” e “ esse horário de sessão não está sendo possível conciliar com o meu horário de trabalho”. Cabe acrescentar que durante o período de psicoterapia de Teodora, a cliente prestou outras provas bastante concorridas dentro da empresa que trabalhava e sempre foi bem sucedida nos resultados e com relação ao horário, a psicoterapeuta sempre conseguia atender as opções de mudança que Teodora solicitava.

 

 

Palavras-Chave: Vínculo Psicoterapêutico; Cliente Psiquiátrico; Insensibilidade ao outro; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).