Atividade: Sessão coordenada

QUANDO CONTINGÊNCIAS DE CONTROLE PRODUZEM SOFRIMENTO: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

NATÁLIA PASCHOALINO

ITCR – Campinas

Renata (21), filha de Luis (60) e Irene (51), irmã de Marina (17), morava em uma cidade no interior do estado de São Paulo e cursava Psicologia em uma faculdade particular. Os membros da família de Renata eram bastante religiosos. As queixas apresentadas pela cliente foram: conflitos com os pais, sintomas de ansiedade e dúvida sobre a manutenção de seu relacionamento virtual. As principais dificuldades da cliente eram: déficit no repertório social; déficit no repertório de comportamentos de autonomia e de independência; controle excessivo dos pais e repertório de fuga-esquiva e/ou contracontrole pouco eficiente; comportamento prioritariamente governado por regras; emissão de respostas com topografia agressiva diante de situações nas quais os pais exerciam controle; dificuldades na relação com o pai. Em sua história de contingências de reforçamento (CR), foi possível perceber que as CR coercitivas e com regras muito rígidas a que Renata foi exposta contribuíram para que a cliente desenvolvesse um repertório comportamental prioritariamente governado por regras e apresentasse déficits no repertório social, no repertório de independência e de autonomia. Os principais objetivos da psicoterapia foram: desenvolver repertório social e de resolução de problemas; desenvolver repertório de independência e autonomia; desenvolver repertório de contracontrole aos comportamentos dos pais; ensinar a cliente a discriminar as regras que não descreviam as CR em operação; sensibilizar a cliente em relação aos comportamentos desejados emitidos pelo pai e identificar o que controlava o comportamento dele. Para tanto, os procedimentos utilizados foram, principalmente, análise de CR, instrução verbal e apresentação de modelos de comportamentos desejados. Como resultados, a cliente conseguiu emitir respostas de interação social e, através delas, fortalecer vínculos afetivos e produzir reforços positivos de natureza social; emitir comportamentos de autonomia e independência; emitir comportamentos de contracontrole aos comportamentos dos pais; ficar sob controle das CR em operação; emitir comportamentos de fuga-esquiva desejados diante de possíveis conflitos com os pais e relacionar-se com o pai de maneira mais amena.

Palavras-chave: déficit no repertório de autonomia e independência; comportamento governado por regras; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).