Atividade: Sessão Coordenada

 

The Flash: Contingências coercitivas e escassez de reforçadores. Estudo de caso em Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR)

 

MARIA ISABEL DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI FRANCO

ITCR – Campinas

 

Mônica (36) buscou psicoterapia por indicação do psicoterapeuta do filho (10). Cássio havia sido diagnosticado com hiperatividade por um neurologista e a cliente não conseguia seguir as instruções dadas pelos profissionais em relação ao excesso de atividade do filho, bagunça e encoprese. Ela estava sempre apressada e/ou atrasada, falava rápido e alto e agitava as chaves enquanto conversava. As principais queixas trazidas pela cliente diziam respeito à dificuldade de lidar com os mandos e desmandos do ex-marido, os comportamentos indesejados do filho, as birras da filha caçula (4) e a interferência de seus pais em suas decisões. Relatou sentir-se culpada por “não dar conta dos filhos”. Queixou-se também da incerteza em relação à vida amorosa, pois queria muito um novo relacionamento, mas não conseguia se organizar para poder sair. Em relação à vida profissional, referiu uma desvalorização por parte de seu pai em relação a seu cargo público concursado, pois ele constantemente oferecia para ela desistir e voltar a morar em sua cidade natal, onde teria toda infraestrutura garantida por ele. Foram identificados, ao longo do tratamento, os seguintes excessos e déficits comportamentais: dificuldade de negociar com o ex-marido quanto a visitas, férias, regras e pagamentos; déficit de repertório de comportamentos assertivos no sentido de colocar limites nos filhos, ex-marido e na empregada; dificuldade em manter combinados e traçar objetivos alcançáveis. Outra dificuldade observada dizia respeito ao déficit de comportamentos socialmente habilidosos, tanto com o namorado (relacionamento iniciado ao longo do atendimento) como com os colegas de trabalho. Observou-se também um déficit no repertório de amar e lidar com contingências de reforçamento amenas, aliado a uma inabilidade para se organizar e conseguir fazer atividades com possível função reforçadora. Os objetivos principais da psicoterapia foram: construir repertório de autoconhecimento, aumentar a discriminação de contingências coercitivas disfarçadas de atenção, diminuir seu sentimento de culpa, aumentar sua variabilidade comportamental de enfrentamento e aumentar o acesso a reforçadores positivos. Foram empregados os seguintes procedimentos: instrução verbal, reforçamento diferencial de comportamentos desejados, fading, modelação e treino comportamental. Compreende-se que o processo psicoterapêutico foi efetivo porque a cliente passou a lidar melhor com o ex-marido, os filhos, os pais, a empregada e colegas de trabalho e passou a ter maior acesso a reforçadores positivos como um novo relacionamento, viagens frequentes e prática de atividades físicas prazerosas.

 

Palavras–chave: Contingências coercitivas; escassez de reforçadores; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).