Atividade: Sessão Coordenada (Estudo de caso clínico)

 

 

EU NÃO VEJO O QUE VOCÊ VÊ: CONTINGÊNCIAS DO ATENDIMENTO DE UMA CLIENTE COM BAIXA VISÃO

 

DANILA SECOLIM COSER

Instituto de Psicologia da Baixa Mogiana (IPC), Mogi Mirim/SP

UNIFAE – São João da Boa Vista/SP

 

O trabalho apresenta um estudo de caso em Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) e aponta algumas contingências específicas do trabalho com clientes com baixa visão. Denise (29), solteira, formada na área da saúde, relatava como queixa inicial sofrimento acentuado para lidar com pessoas no trabalho e dificuldade em “ser feliz”. A cliente havia finalizado longo namoro, apresentava baixa visão congênita (visão com capacidade de leitura, sem cor e equivalente a distância de 1 metro), dificuldades em relatar sentimentos negativos e contrariar pessoas, autorregras rígidas e disfuncionais sobre si, seu problema de visão e sobre interações sociais. A história de contingências de reforçamento da cliente evidenciou contingências pobres de reforçamento positivo e altas cobranças comportamentais da família. Apesar das poucas interações sociais, a cliente possuía ótimas habilidades de conversação. Foram objetivos terapêuticos: identificar  contingências de reforçamento (CR) que produziam “dificuldade de ser feliz” e sofrimento no trabalho; levar a cliente a discriminar e alterar as regras disfuncionais; promover interações sociais com incremento do repertório social e promoção de CR que facilitariam o viver com baixa visão. Foram utilizados nas intervenções diferentes procedimentos da Análise do Comportamento, tais como: análise e descrição das diferentes CR, instrução verbal (modelação e regras), reforçamento diferencial de comportamentos da cliente que eram mais compatível com os objetivos terapêuticos traçados, treino comportamental (role playing) e questionamento socrático. A cliente passou a frequentar ambientes sociais que antes lhe eram aversivos (barzinhos); iniciou novo relacionamento amoroso; passou a relatar em eventos da área profissional que possuía baixa visão e a solicitar alterações ambientais; passou a relatar aspectos mais positivos da vida; a expor alguns poucos sentimentos negativos e relatos de se sentir menos pressionada em agradar pessoas; iniciou novos cursos a fim de promover novos reforçadores; etc. A cliente continua em acompanhamento psicoterapêutico mensal e apresenta novos avanços nos aspectos citados. Quanto às CR específicas do trabalho de clientes com baixa visão foram importantes a discriminação e conversas específicas sobre aspectos do ambiente que favoreceriam o bem-estar da cliente durante as sessões de psicoterapia, tais como luminosidade da sala; distância entre psicoterapeuta e cliente a fim de favorecer a visualização da comunicação não verbal da psicoterapeuta; apresentação do espaço da sala de atendimento e da clínica para locomoção autônoma da cliente. É importante indicar que essas alterações só foram feitas a partir da iniciativa e atenção da psicoterapeuta de que esses aspectos seriam favorecedores, uma vez que a cliente apresentava dificuldade em relatar de forma clara o problema de baixa visão. Tal dificuldade é corroborada em estudos de pessoas com baixa visão na literatura da área de educação especial, ficando evidente que as CR produzidas pela deficiência devem ser consideradas no tratamento psicológico e na interação com os clientes.

 

 

Palavras-chave: Baixa visão; Terapia por contingências de Reforçamento (TCR).