Atividade: Sessão Coordenada (Estudo de caso clínico)

 

 

AJUDANDO A ENTENDER OS PORQUÊS DO CORAÇÃO

 

CONCEIÇÃO APARECIDA DOS SANTOS COVRE BATISTA

ITCR-Campinas

 

Kenzo (11), filho único de Paulo (37), e Keyla (36), morava com o avô Pedro (60), viúvo, e a segunda esposa deste Nair (50). Cursava o 6º ano do Ensino Fundamental em escola pública. Nair procurou a psicoterapeuta com a seguinte queixa: “Eu vim até aqui porque estou precisando muito de ajuda...  Meu marido tem um neto, Kenzo, ele tem 11 anos... Os pais são separados... O pai dele está preso há mais de um ano e a mãe começou a sentir-se mal, foi perdendo a visão... Não contou nada a ninguém... Fez uns exames e ao levar os resultados ao médico no hospital já ficou internada. Ela teve um tumor no cérebro... Os médicos disseram que é um tipo de tumor muito agressivo e que se ela sobreviver terá muitas sequelas... A médica falou que temos que preparar o menino”. No decorrer do processo psicoterapêutico as seguintes dificuldades foram observadas: relatos contraditórios entre o cliente e os avós; dificuldade para estabelecermos uma pessoa que se responsabilizasse pelo tratamento do Kenzo; dificuldade do cliente em expressar ideias e sentimentos de maneira desejada; pressão por parte da família da mãe do cliente (que moravam até então em outra cidade e não se relacionavam havia mais de 8 anos com o Kenzo; Vieram para a casa da filha quando souberam da doença da mesma) falta de informação por parte do cliente e familiares do estado de saúde do pai, que se encontrava debilitado na cadeia; baixa autoestima; baixa autoconfiança; baixa emissão de comportamentos de responsabilidade e baixa tolerância à frustração. Foram propostos os seguintes objetivos psicoterapêuticos: acolher o cliente incondicionalmente, de forma a ouvir atentamente e apresentar carinhos físicos (apertar as mãos, abraços) diante de comportamentos que sinalizavam insegurança, tristeza; preparar o cliente, através de leituras e conversas sobre o luto, para a possível perda da mãe; desenvolver comportamento de confiança entre psicoterapeuta e cliente; instalar e ampliar repertórios para ajudar o cliente expressar ideias e sentimentos de maneira desejada com a família mais próxima (avô paterno e a esposa do avô) e com a família com a qual o Kenzo passou a ser relacionar (avó materna e tias maternas) ; ensinar ao avô o passo a passo para conseguir a guarda provisória do neto junto ao conselho tutelar; aumentar a autoconfiança do cliente em relação ao avô e Nair; ajudar o cliente a lutar pelos seus direitos junto à avó materna e às tias maternas, orientar os avós a tornar o ambiente mais ameno ao neto e não esconder informações importantes em relação ao estado de saúde da mãe; orientar aos avós no enfrentamento do Kenzo em relação à  perda da mãe, respeitando os limites do mesmo e acompanhamento dos avós nos momentos difíceis.. Como resultados pode-se observar a construção de um vínculo sólido entre psicoterapeuta e cliente, orientar o avô e a Nair para assumir o Kenzo após a morte da mãe; aproximação da Nair nos momentos de visita à mãe do cliente no hospital,

Palavras-chave: Preparação para o luto com criança; orientação familiar; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).