Atividade: Sessão Coordenada

“UMA MENTE BRILHANTE” – O CONTEÚDO (SEMPRE) OPERANTE NO DIAGNÓSTICO DA ESQUIZOFRENIA: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO

 

CARLOS ALBERTO FURIATTO ESTEVES

NTCR - Curitiba

 

Bianca (48), solteira, era funcionária pública aposentada, por invalidez, devido a diagnóstico do Espectro da Esquizofrenia. Foi a terceira filha entre quatro irmãos e morava com sua irmã mais velha, aposentada por tempo de serviço no setor público. Bianca teve sua primeira internação por volta dos 18 anos de idade, decorrente de um surto psicótico durante o qual descrevia estar sendo “perseguida por sua mãe, que pretendia entregá-la aos nazistas”. Ao longo dos anos seguintes, sofreu mais de 20 outras internações em clínicas psiquiátricas. Encontrava-se medicada com o uso diário de Haldol (neuroléptico indicado para sintomas psicóticos). O primeiro contato do psicoterapeuta com a cliente ocorreu em uma clínica psiquiátrica no final de 2014. A queixa principal foi de que as pessoas, indistintamente, a ofendiam, pois após ter sofrido um estrupo, imagens de seu corpo nu circulavam pela internet e todos, sem exceção, a classificavam como a “prostituta do Brasil”. Devido a esta condição, a cliente se isolava e se esquivava de frequentar ambientes públicos. Como queixa secundária, Bianca descrevia que, decorrente desta perseguição, ela não poderia realizar seu sonho de concluir o curso de Direito, e ser “alguém importante na vida”. Abandonou o mesmo por conta destas ofensas. Bianca chorava em todas as sessões de forma intensa e frequente, e ela sempre portava uma toalha de rosto para enxugar suas lágrimas. Tais respostas (verbalizações e choro), que eram apresentadas com alta frequência, deveriam estar sendo mantidas por um esquema de reforçamento  intermitente (positivo ou negativo), e o primeiro objetivo foi identificar as contingências de reforçamento (CR) que instalaram e que estavam mantendo tais respostas, ou seja, buscar sua função. Skinner (1955) afirmou que “…o comportamento psicótico, como qualquer comportamento, é parte do mundo de eventos observáveis, aos quais se aplicam os poderosos métodos da ciência natural e para cuja compreensão estes métodos se provarão adequados.”. O conceito de comportamento operante está na base do desenvolvimento da Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), portanto, as verbalizações, ações, sentimentos, pensamentos etc., de todo e qualquer indivíduo, são selecionados pelas consequências que produzem. Encontra-se na análise funcional do comportamento a explicação para as determinantes do mesmo e somente uma modificação nas CR pode produzir uma mudança no comportamento. No caso de Bianca, a análise de CR permitiu identificar que os comportamentos psicóticos eram mantidos por respostas de fuga/esquiva em relação ao comprometimento significativo no repertório de estudos e interação social, e o objetivo principal do processo psicoterapêutico foi desenvolver a autoconfiança e acesso a novos reforçadores sociais.

 

Palavras-Chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); comportamento psicótico; esquizofrenia.