Atividade: Sessão Coordenada

 

CRISES DE PÂNICO DIANTE DA PROXIMIDADE DO VESTIBULAR: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

CAMILA NEGREIROS COMODO

ITCR - Campinas

 

Maria (16) morava com os pais e a irmã mais nova, cursava o terceiro ano do Ensino Médio de uma escola particular e tinha uma irmã mais velha que fazia faculdade de medicina em uma universidade pública em outra cidade. A cliente procurou psicoterapia após indicação do médico da família, pois apresentava crises de pânico recorrentes. Nessas crises, Maria tinha sudorese, tarquicardia, choro incontrolável, pensamentos negativos relacionados com seu futuro profissional e medo de perder o controle e morrer. O médico da família indicou o uso de um medicamento ansiolítico, porém Maria se recusou a tomar o medicamento. Ao longo da psicoterapia, foi possível analisar que a prova do vestibular e a entrada na universidade eram estímulos aversivos para Maria, uma vez que ela não tinha repertório comportamental para lidar com tais situações. As Contingências de Reforçamento presentes no ambiente familiar e escolar de Maria não contribuíram para instalar e manter repertório de estudar, de independência e de responsabilidade. No contexto escolar, Maria não estudava para as provas, ficava constantemente em recuperação, mas nunca teve reprovações. No contexto familiar, Maria era poupada de realizar atividades domésticas e era vista pelos pais e irmãs como uma adolescente frágil. Entretanto, com a proximidade do vestibular, os pais de Maria passaram a cobrar da cliente comportamentos de estudo e a aprovação em um curso de direito em uma universidade pública, o que não era compatível com o repertório de estudo que Maria apresentava. Dessa forma, os objetivos da psicoterapia com Maria foram: aprimorar a discriminação que a cliente tinha do ambiente e de seus comportamentos; desenvolver repertório de estudo, de comportamentos responsáveis, de tomada de decisões e de maior independência com relação aos pais. Os procedimentos utilizados para atingir esses objetivos foram: descrição e análise de Contingências de Reforçamento; instruções sobre conceitos básicos da Análise do Comportamento; identificação, junto com Maria, de classes desejadas de comportamento que ela deveria apresentar e desenvolver; modelação, modelagem e instruções sobre os comportamentos desejados de estudo, responsabilidade e tomada de decisões. Ao final do processo psicoterapêutico, Maria não apresentava mais crises de pânico, havia realizado as provas de vestibular e tinha sido aprovada em uma universidade particular. A cliente estava cursando direito na universidade particular em que foi aprovada e havia tirado boas notas no primeiro semestre do curso. Adicionalmente, Maria passou a apresentar alguns comportamentos de independência em relação aos pais e responsabilidade, como ter uma conta em um banco e administrar sua mesada, fazer curso para tirar a carteira de motorista e ajudar a irmã mais velha e o primo em problemas pessoais que eles estavam enfrentando.   

 

Palavras-chave: Crises de pânico; comportamentos de estudo; vestibular; Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).