Atividade: Sessão Coordenada

 

MEU INSEPARÁVEL "AMIGO" TOC: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR) COM ADOLESCENTE

 

ANA CAROLINA DE OLIVEIRA ESPANHA ROMEIRO

ITCR – Campinas

Isa (16) cursava o 2º ano do Ensino Médio e era a única filha de Jane (40) e Junior (46). As queixas iniciais apresentadas pela mãe de Isa foram: “A Isa tem pavor de vomitar e a médica disse que isso se chama hemetofobia e que foi desencadeada pela Síndrome do Pânico”. Além dessa queixa, Jane descreveu os rituais de Isa para tomar banho e lavar as mãos: “A Isa vai tomar banho e precisa estar tudo no mesmo lugar. Para lavar a mão, ela precisa contar até dar o número certo. Ela tem TOC.” Com relação à Síndrome do Pânico, a mãe complementou: “Ela acha que se comer vai passar mal. Começou a escurecer, ela não come mais.” Tais queixas sugeriam o predomínio de CR coercitivas, dado o excesso de comportamentos com função de fuga-esquiva emitidos pela cliente. A psicoterapeuta identificou outras dificuldades de Isa: baixa tolerância à frustração; padrão variado e fortalecido de comportamentos de fuga-esquiva indesejados de situações que considerava aversivas; excesso de comportamentos governados por regras; déficit de comportamentos mantidos por reforço positivo, que competissem com os rituais do TOC e pensamentos relacionados à Síndrome do Pânico. Além disso, Isa demonstrava comportamentos de impulsividade e de baixa empatia com relação a terceiros. A cliente tinha uma história de Contingências de Reforçamento (CR) composta, prioritariamente, por CR de reforço negativo, e a família reforçava principalmente o cumprimento de regras sociais. Ao mesmo tempo em que os pais eram os provedores da cliente, também evitavam que Isa se expusesse e lidasse com conflitos, com o intuito de protegê-la. Com isso, Isa aprendeu a não dialogar sobre problemas, o que contribuiu tanto para o desenvolvimento de seu repertório de fuga-esquiva quanto para sua intolerância diante de pessoas e situações que não a agradavam. Isa costumava atribuir aos outros a responsabilidade por suas dificuldades interpessoais. Os objetivos psicoterapêuticos foram a) desenvolver repertório de discriminação das Contingências de Reforçamento em operação, tanto para Isa quanto para os pais; b) listar e colocar em prática atividades que produzissem reforços positivos, que competissem com os comportamentos relativos ao TOC e Síndrome do Pânico; c) desenvolver repertório de auto-observação e autoconhecimento; d) desenvolver repertório de sensibilidade ao outro; e) ensinar Isa a lidar com situações conflituosas, ou seja, diminuir seu padrão de comportamentos de fuga-esquiva indesejados e aumentar a sua tolerância a frustrações. Os procedimentos realizados durante o processo foram: a) sessões de orientação de pais que incluíam instruções verbais e descrição das CR em operação; b) reforçamento diferencial de comportamentos desejados emitidos pela cliente na presença da psicoterapeuta; c) aumento do número de sessões durante o mês - no início do processo -, esvanecendo o número de sessões à medida que Isa apresentava progressos; d) treino comportamental e apresentação de modelos verbais pela psicoterapeuta sobre como lidar com conflitos. Os resultados obtidos foram: a) a cliente começou a diminuir a emissão de respostas agressivas, com função de fuga-esquiva, na resolução de conflitos (aumento do autocontrole), b) a cliente passou a ficar mais sensível ao produto de seu próprio comportamento (ou seja, de permanecer sob controle das CR em operação e não excessivamente governada por regras disfuncionais), c) diminuição dos pensamentos relativos à Síndrome do Pânico e diminuição dos rituais relacionados ao TOC; d) estabelecimento de rotina intercalada entre tarefas obrigatórias e atividades prazerosas. Todas essas alterações no repertório da cliente e nas CR proporcionaram modificações desejadas nas relações da cliente com os pais, familiares e amigos.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC); baixa tolerância à frustração.