Atividade: Sessão Coordenada(Estudo de caso clínico)

 

TÍTULo: “Isso só pode ter sido herdado do pai”- estudo de caso em Terapia por contingências de reforçamento com crianças

 

ADRIAN PARRA DOMINGUES

ITCR-Campinas

 

Lu (5) era filho de Ruth (34) e enteado de Edu (47). Tinha uma irmã por parte de mãe, Tata (17), que morava com a avó materna. Lu não conhecia e nem era registrado pelo pai biológico. Mãe, padrasto e Lu estavam morando juntos há quatro meses. Antes disso, mãe e filho moravam com os avós maternos de Lu. Ruth e Edu procuraram psicoterapia devido aos comportamentos agressivos (tais como: chutes, gritos e verbalizações ofensivas) e de oposição que o filho apresentava. Estavam com dificuldades para lidar com o filho e também para entender o porquê desses comportamentos. Havia uma regra que controlava o comportamento tanto da mãe quanto do padrasto para explicar tais comportamentos indesejados: hereditariedade. Ruth relatava que o pai biológico de Lu era uma pessoa instável emocionalmente e muito agressivo quando contrariado, comportamentos estes que Lu vinha apresentando. A única e mais provável hipótese que tinham era que Lu havia herdado a personalidade do pai. Sob controle dessa regra, relatavam que já haviam feito diversas tentativas para cessar os comportamentos indesejados, porém sem sucesso. A mãe fazia tentativas para diminuir os comportamentos indesejados, mas acabava cedendo diante dos choros, agressões e verbalizações do filho. Lu dizia que Ruth não o amava e que queria crescer logo para ir embora de casa. Tais verbalizações produziam na mãe sentimento de culpa, por achar que não desempenhava seu papel de mãe com excelência. A mãe também relatava que Lu não estava feliz e ela própria apresentava sentimentos de rejeição, pois sentia-se menos amada por Lu. O padrasto, por sua vez, consequenciava de forma mais apropriada os comportamentos de Lu, porém, em algumas situações, não se sentia no direito de “corrigir” o enteado, alegando não ser o pai. Para a obtenção dos resultados no processo psicoterapêutico de Lu foi importante a participação efetiva dos pais como objetivo de conhecerem e entenderem: os princípios do comportamento; a diferença entre comportamento aprendido e herdado; a relação e influência que o ambiente exerce no comportamento. Dentre os procedimentos utilizados com os pais e com a criança destacam-se descrição das contingências de reforçamento (CR) através de recursos lúdicos; fading in de regras; aplicação pelos pais de consequências selecionadoras de comportamentos desejados (os pais foram orientados na aplicação desses procedimentos) através de instruções verbais e apresentação de modelos. A partir das intervenções com a criança, juntamente com as orientações de pais, alguns resultados já puderam ser observados, como: pais aplicando contingências de reforçamento (CR) mais apropriadas ao objetivo do processo psicoterapêutico; emissão de comportamentos mais sob controle das contingências de reforçamento manejadas pelos pais; diminuição dos comportamentos de oposição e diminuição de brigas no ambiente familiar.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingêncas de Reforçamento (TCR); Terapia com crianças; regras; princípios básicos do comportamento; hereditariedade.