Atividade: Painel (Estudo de caso clínico)

DO REPERTÓRIO DE MÃE AO DESENVOLVIMENTO DE OUTROS REPERTÓRIOS NA TERAPIA COMPORTAMENTAL

THAÍS SALOMÃO YACOTE

Marco Antonio Siqueira

Regina Christina Wielenska

Universidade de São Paulo – USP

 

O repertório comportamental de um indivíduo pode ser muito diferente do que o necessário para um ajustamento adequado às circunstâncias nas quais ele está inserido. Isso pode ocorrer devido a pouca exposição prévia a situações similares ou a pouca variação comportamental para a obtenção de outras fontes de reforço. O presente trabalho teve como objetivo fazer uma análise do desenvolvimento de repertório social, de enfrentamento de problemas e de discriminação de responsabilidades de uma cliente de 48 anos, diagnosticada com transtorno disfórico pré-menstrual, que fazia uso de fluoxetina (80mg/dia). Casada, a cliente tinha 3 filhos, dois meninos (23 e 19 anos), e uma menina (21), mantinha o mesmo cargo há mais de 30 anos na mesma empresa. Relatava dificuldade de enfrentar problemas no relacionamento familiar e profissional, frequente sentimento de culpa e angústia após tomar uma atitude questionando suas próprias decisões. Apresentava um déficit significativo no seu repertório social. O seu papel de mãe era a única coisa que a definia e mesmo nesse papel não possuía um repertório adequado emitindo um comportamento superprotetor: seu filho mais velho decidiu sair de casa e a cliente não conseguia aceitar esse acontecimento, achava que isso significava que ela não era uma boa mãe e por isso que ele não queria mais morar com ela. No início do tratamento psicoterapêutico, a cliente demonstrou resistência em variar seu comportamento. A intervenção ocorreu com os objetivos de promover e desenvolver novas habilidades; buscar outras atividades de interesse (uma vez que a cliente dizia não ter acesso a reforçadores); explorar outros papeis sociais, tais como: ser amiga, cidadã, irmã, profissional, mulher, e não somente mãe. Depois da descoberta de outros possíveis reforçadores, foi feito um plano de realizações com metas pequenas e com baixo custo de resposta para auxiliar e favorecer a execução por parte da cliente. Mesmo que em baixa magnitude e frequência, a cliente começou a emitir novos comportamentos como caminhar, ler, começou a revitalizar o seu jardim, e isso fez com que ela ampliasse aos poucos seu repertório. A manutenção desses comportamentos foi parte primordial do trabalho psicoterapêutico e os psicoterapeutas devem ajustar as próprias expectativas e as da cliente para que ela continue variando seu comportamento.

Palavras-chave: Terapia comportamental; desenvolvimento de repertório comportamental.