Atividade: Painel

 

MUTISMO SELETIVO SOB PERSPECTIVA COMPORTAMENTAL

AMANDA SABATIN NUNES DA SILVA

PUC-Campinas

 

Mutismo seletivo é um padrão comportamental ainda pouco conhecido caracterizado pela recusa da criança em falar na presença de estranhos ou em situações que produzem ansiedade social. Em decorrência de um estágio em Psicologia, Ito (08), aluno do 2º ano, foi observado durante seis meses em uma Escola de Ensino Fundamental. Segundo a equipe de escola, Ito apresentava baixo rendimento escolar, dificuldade de aprendizagem e era conhecido como o “menino que não fala”: com limitado repertório comportamental social, manteve-se isolado na escola desde o primeiro dia de aula. Porém, segundo a mãe de Ito, ele falava até em demasia em casa. A estagiária realizou anamnese com a mãe e alguns dados da história de contingências de reforçamento foram relevantes para compreensão do caso. Ito havia se mudado para a cidade atual há pouco tempo e, segundo a mãe, foi uma mudança muito radical, tendo o filho alegado não gostar de ir para escola e já ter chegado em casa apresentando sinais que sofrera bullying. A família era muito pobre, passando necessidades financeiras, e a mãe apresentava comportamentos semelhantes aos filho, tais como: pouco contato visual, pouca fala e muita timidez. Na escola, era criticado por não falar. Tentativas de estabelecer um vínculo entre a estagiária e Ito foram feitas através da realização de dinâmicas em sala de aula, diálogo e observação do aluno na Escola, sem êxito, pois o garoto não a correspondeu nem mesmo com um contato visual. A estagiária também recebeu feedback do psicólogo que o atendia no posto de saúde do bairro e algumas hipóteses foram levantadas. Ito parecia estar inserido em uma comunidade verbal pobre e pouco reforçadora. A escola funcionava como um contexto aversivo para ele e recusar-se a falar poderia ser a única forma disponível para esquivar-se desse contexto ou das demandas que tal contexto lhe impunha. NA família voltou para sua cidade natal antes que pudessem ser aplicadas intervenções psicoterapêuticas, mas algumas orientações foram dadas à mãe e a equipe escolar no sentido de promover novas relações sociais. A terapia comportamental seria apropriada para o caso, por seu caráter contextualista, já que consideraria contingências de reforçamento passadas e atuais operando e que estariam influenciando o comportamento de Ito. Algumas intervenções poderiam ser feitas, como: orientações aos cuidadores para não punir Ito por suas dificuldades; respeitar os limites de Ito, já que insistir para comunicar-se pode reforçar o comportamento retraído do mesmo; elaborar inicialmente formas alternativas de comunicação, por aproximações sucessivas, solicitando gradualmente a exposição oral da criança; usar o reforço positivo todas as vezes que se comportar-se de forma desejada; propiciar autonomia e autoconfiança; ludoterapia.


Palavras-chave: Mutismo Seletivo; Contingências de Reforçamento; habilidades sociais.