Atividade: Mesa Redonda

A MORTE E SEUS DESDOBRAMENTOS: ATUAÇÃO DO TERAPEUTA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL

 

MORTE SÚBITA, SUICIDIO E OUTROS EVENTOS: DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO MANEJO COMPORTAMENTAL

 

VERA REGINA LIGNELLI OTERO

ORTEC

 

Perder alguém por morte é uma experiência que afeta negativamente a vida de uma pessoa, demais familiares ou amigos, de forma mais ou menos intensa, a depender de um conjunto grande de variáveis: qual a causa principal desencadeante: doença súbita ou crônica, ‘acidente’, suicídio, etc.; tipo de vínculo e grau de proximidade (filho, cônjuge, irmão, amigo, etc.); repertório comportamental de ‘engajamento’ na rotina de vida; ter ou não que ‘continuar a cuidar’ de outras pessoas, trabalhar, etc.; comportamentos de autocuidados. De um modo geral há um congelamento do repertório comportamental anterior de engajamento na rotina de vida de cada um, com diminuição da variabilidade comportamental e aumento da frequência de comportamentos de isolamento, indiferença, desinteresse, expressão da vontade de morrer, queixas, lamentos, insônia, inapetência, etc., evidenciando intenso sofrimento. O terapeuta comportamental lida com variáveis importantes no enfrentamento de episódios de morte por seus clientes. Há peculiaridades específicas e bastante difíceis no manejo de perdas súbitas (doença fulminante, acidente, suicídio). O suicídio tem características especiais dado que se trata de consequência de um ato voluntário de alguém, e, torna mais difícil a ‘aceitação’ do fato, remetendo a pessoa que ficou, a um estado de desespero que contém um conjunto grande de comportamentos de culpar-se pela morte do suicida. O terapeuta comportamental também lida com a pessoa que expressa vontade de tirar a própria vida. São situações de difícil manejo que revelam que a relação pessoa-pessoa estabelecida nestes casos ultrapassa a aplicação de técnicas. Vale salientar que o vínculo terapêutico com estes clientes é extremamente importante e necessário, mas é ingênuo acreditar que será suficiente para impedir um ato suicida. Acompanhar o processo de terapia de um cliente que sabe-se portador de uma doença incurável também requer, por parte do terapeuta, um amplo repertório de manejo clínico: enfrentamento da finitude do viver, como diminuir o sofrimento do cliente (físico e emocional), ajudá-lo na escolha e no engajamento de comportamentos possíveis na situação dele. Serão apresentados alguns dados de alguns casos clínicos que ilustram o atendimento psicoterápico de clientes no enfrentamento da morte e do morrer.

 

Palavras-chave: Perda por morte; manejo clínico em situação de perda; suicídio.