Atividade: Mesa Redonda  

TRANSPOSIÇÃO DE DADOS DE PESQUISA BÁSICA PARA PROBLEMAS DA CLÍNICA

 

MODELOS EXPERIMENTAIS DE PSICOPATOLOGIA EM 
HUMANOS: UM PASSO INTERMEDIÁRIO ENTRE PESQUISAS BÁSICAS EM OUTRAS ESPÉCIES E ESTUDOS CLÍNICOS

PEDRO ZUCCOLO

USP – São Paulo

 

A complexidade de psicopatologias tais como a ansiedade e depressão requer que os aspectos que as compõem sejam investigados por estratégias diversas e em diferentes níveis. No âmbito da análise do comportamento, esses fenômenos têm sido estudados por meio de estudos básicos com animais, estudos experimentais com humanos saudáveis e com diagnósticos específicos, e ensaios clínicos. Esta apresentação tem por objetivo debater as vantagens e limitações dos modelos experimentais de psicopatologias em humanos. Esses modelos tomam por base procedimentos de pesquisas básicas com outras espécies para criar situações de laboratório com participantes humanos em que há controle e manipulação das variáveis supostamente envolvidas no fenômeno de interesse. Pesquisas básicas com humanos cujas perguntas experimentais buscam uma relação com fenômenos clínicos seriam um passo intermediário entre os estudos básicos em outras espécies e os chamados estudos clínicos, nos quais a eficácia de diferentes análises e procedimentos é testada em amostras de sujeitos com diagnósticos psiquiátricos. Dois modelos serão discutidos: a) desamparo aprendido e b) condicionamento respondente envolvendo estímulos aversivos (condicionamento de medo). A partir desses exemplos os seguintes pontos serão discutidos: 1) generalidade entre espécies nos processos comportamentais observados, 2) a interferência de processos típicos de humanos (processos cognitivos ou verbais) na produção dos modelos e 3) limitações metodológicas de situações de laboratório para o entendimento dos fenômenos como ocorrem na clínica.