Atividade: Mesa Redonda

DESAFIOS DA PRÁTICA PSICOTERAPÊUTICA - A RESISTÊNCIA DO CLIENTE À MUDANÇA

 

BEM MAIS VELHO DO QUE A PRÓPRIA IDADE – UM ESTUDO DE CASO CLÍNICO DE RESISTÊNCIA A MUDANÇAS NO MODELO DE TCR

 

PATRÍCIA PIAZZON QUEIROZ

Instituto de Análise Aplicada do Comportamento

 

Um estudo de caso ilustrará contingências matriciais às quais um cliente foi exposto e sua resistência a mudanças no processo de terapia. Um cliente de 62 anos, aposentado com boa condição financeira, chegou a terapia com queixa de depressão e pânico. A terapeuta identificou as contingências em operação em sua vida: a. aposentado recentemente não tinha repertórios alternativos ao trabalho produzindo um ambiente pobre em reforçadores sociais e ausência de consequentes ao seu desempenho atual; b. seu repertório comportamental e seus valores eram basicamente os mesmos de seus pais; c. suas regras eram baseadas no passado principalmente sob controle das regras e valores de seus pais; d. apresentava pouca variabilidade comportamental impedindo que novos reforçadores pudessem vir a desenvolver padrões de comportamento distintos dos atuais. Exemplificando esses padrões, nos dias atuais, o cliente ainda não tinha TV a cabo e nem aparelhos de computador ou celular com conexão à internet, mesmo sob insistência dos colegas – mais atualizados – para que entrasse no mundo da internet. “Eu ainda prefiro a boa máquina de datilografar, tenho vários modelos”. Convidado para alguns eventos sociais nunca ia. A terapeuta ao identificar a pouca disponibilidade de reforçadores presentes na vida do cliente e sua pouca variabilidade inicialmente solicitava que ele trouxesse objetos, fotos e textos de sua história de vida e, juntos, realizaram atividades que exigiam os repertórios profissionais – estes muito bem instalados pela sua história de contingências. Nesta fase do processo o cliente evoluiu e diminuíram as queixas mais acentuadas de depressão. No entanto, ao iniciar a nova etapa de desenvolver variabilidade comportamental e exposição a novas situações com possíveis funções reforçadoras, o cliente passou a resistir às mudanças. Ele emitia comportamentos de fuga esquiva das orientações e sugestões dadas pela terapeuta, muitas vezes usava as crises de pânico como desculpa para não se expor – mesmo essas não estando mais presentes há mais de um ano. As contingências matriciais as quais ele foi exposto, responsáveis pelo seu déficit comportamental ainda hoje, impediam as mudanças de comportamento e levavam-no a resistir. A identificação e análise de tais contingências e, ainda, as estratégias terapêuticas frente a isso serão apresentadas.

 

 

Palavras-Chave: dificuldades no processo de terapia; resistência do cliente a mudança; terapia por contingência de reforçamento; contingências matriciais