Atividade: Discussão de estudo de caso

DESAFIOS NO ATENDIMENTO DE CRIANÇAS EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR): DO MANEJO NO SETTING COM A CRIANÇA À ORIENTAÇÃO DE PAIS.

 

ANA CAROLINA GUERIOS FELÍCIO

Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento

NATÁLIA PIRES

Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento

 

José Paulo (6), estudante do primeiro ano do Ensino Fundamental em um colégio privado, era natural de uma cidade de médio porte no norte do estado de São Paulo, onde residia com seus pais – Liliane (42) e Fabrício (38), empresários – e com o irmão caçula, Manoel (2). Nessa região eram realizados os atendimentos psicoterapêuticos. No final de 2014, Liliane procurou psicoterapia para José Paulo queixando-se dos “comportamentos escandalosos” do filho que “chorava demais” ou “gritava a ponto de merecer um tapa na cara para calar-se” ao interagir com outras crianças. Naquela ocasião, a psicoterapeuta realizou dois atendimentos com o cliente, nos quais pôde observar que ele respondia com tranquilidade às perguntas feitas pela psicoterapeuta, participava das brincadeiras propostas e tinha iniciativa para fazer escolhas, não tendo apresentado nenhum comportamento compatível com os relatos da mãe durante as sessões, mesmo quando exposto a pequenas frustrações. Na sessão de orientação com a mãe, ficou claro para a psicoterapeuta que os pais não tinham disponibilidade para engajar-se em tarefas simples, como reforçar diferencialmente os comportamentos desejados do filho. A mãe apresentou a seguinte verbalização frente às orientações da terapeuta: “Acho que ele não precisa mais de terapia”. Assim, a psicoterapeuta adotou como estratégia de intervenção o acolhimento das verbalizações da mãe acerca de seus sentimentos – Liliane se sentia esgotada com os múltiplos papéis exercidos na empresa e nos cuidados com a casa e com os filhos –, o que sensibilizou a mãe para a necessidade de ela própria iniciar a sua psicoterapia. Liliane passou a descrever então a sua relação conturbada com o pai de José Paulo. Fabrício vivia engajado em relacionamentos extraconjugais, expunha publicamente a família; tomava importantes decisões sobre os rumos da empresa e sobre negociações dos bens da família sem comunicar à Liliane, que era surpreendida com as decisões do marido por meio de relatos de terceiros. Em uma dessas ocasiões, ela colocou o marido para fora de casa, despachando as malas dele para um hotel. Quatro dias depois o casal estava morando junto novamente sob o pretexto de Fabrício levar as crianças para comer pizza. Sempre que um dos filhos apresentava algum problema de saúde, Liliane dormia com a criança. No decorrer de um ano, José Paulo apresentou sintomas de asma, bronquite, otite, meningite, pneumonia e herpes. Desse modo, os “comportamentos escandalosos” dos pais eram modelos para os filhos, sendo que o mais velho aprendeu a expressar seus sentimentos de forma extrema em um ambiente caótico. Na atividade “discussão de estudo de caso” serão discutidas possibilidades de intervenção frente a esse cenário.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); terapia com crianças; orientação parental; relacionamento afetivo; sensibilidade ao outro.