Atividade: Comunicação Oral

CORRELATOS ELETROFISIOLÓGICOS DE RELAÇÕES DE EQUIVALÊNCIA

 

TAÍS FRANCINE DE REZENDE

Natalia Maria Aggio

 

Universidade Federal de São Carlos

 

O estudo experimental de comportamentos complexos, como o comportamento simbólico, tem avançado significativamente nas ultimas décadas sob a perspectiva da Análise do Comportamento. Para tanto, tem-se utilizado o paradigma da equivalência de estímulos, o qual permite, além de produzir maior conhecimento sobre o comportamento simbólico, o desenvolvimento de tecnologias comportamentais envolvendo a aquisição desse tipo de repertório. Diz-se que estímulos pertencem
a uma mesma classe de equivalência quando relacionam-se arbitrariamente e são substituíveis em algumas situações. Tais relações entre estímulos são análogas às relações semânticas, com a vantagem de que podem ser produzidas em situação de laboratório. Um modo de investigar a validade externa do paradigma da equivalência como modelo para relações de significado é a verificação da correspondência entre relações semânticas e de equivalência, por meio de registro de medidas eletrofisiológicas. No presente trabalho, serão apresentadas algumas investigações sobre os correspondentes eletrofisiológicos destas relações. Denominam-se Potenciais Relacionados a Evento (ERP) os padrões eletrofisiológicos registrados durante a apresentação de um estímulo. Mais especificamente, o ERP investigado durante a apresentação de estímulos equivalentes é o chamado N400, que se refere a uma alteração negativa nos potenciais eletrofisiológicos. Tal alteração ocorre cerca de 400-ms após a apresentação de determinado estímulo, e a amplitude desta onda negativa corresponde à inexistência de relações de equivalência. As investigações acerca da correspondência eletrofisiológica de relações de equivalência têm sido realizadas por meio de procedimentos no qual são formadas classes de equivalência entre estímulos sem nenhuma relação prévia, e depois os participantes realizam uma tarefa em que são apresentados pares de estímulos equivalentes e não equivalentes. Nesta etapa, registram-se as atividades eletrofisiológicas, enquanto os participantes decidem se há ou não alguma relação entre os pares apresentados. A despeito da escassez das investigações de correlatos eletrofisiológicos de relações de equivalência, os dados obtidos até o momento foram bastante promissores, haja vista que os padrões de N400 observados na comparação de pares da mesma classe de equivalência e de classes diferentes replicam os encontrados entre pares de palavras que possuem e não possuem relações semânticas. Os resultados permitiram ainda levantar a possibilidade de que a latência do N400 pode estar proporcionalmente relacionada à força relacional entre os estímulos, considerando que algumas relações de equivalência podem ser mais fortes que outras. Não obstante, há, ainda, a necessidade de averiguar outras variáveis que possivelmente interferem na formação destas classes, tais como características do procedimento empregado e características dos participantes.

Palavras-chave: Equivalência de estímulos, potenciais relacionados a eventos, relações semânticas.