Atividade: Comunicação oral (Estudo conceitual)

 

FALSAS MEMORIAS SOB A PERSPECTIVA COMPORTAMENTAL

 


TAIS FRANCINE DE REZENDE    

Natalia Maria Aggio   

Universidade Federal de São Carlos           

Falsas memórias são aquelas em que o evento recordado não corresponde ao que verdadeiramente aconteceu. Distorções no lembrar podem passar despercebidas no cotidiano, mas em determinados contextos, podem provocar diversas consequências negativas. Observando a importância de conhecer variáveis influentes na distorção do
lembrar, o presente trabalho objetiva apresentar as principais investigações realizadas em Psicologia sobre o fenômeno, especialmente sob uma perspectiva comportamental. Os primeiros experimentos, advindos da Psicologia Cognitiva, baseavam-se na apresentação de um acontecimento aos participantes, seguida de uma falsa pressuposição a respeito do evento. Após algum tempo, os mesmos eram questionados sobre o que presenciaram. Notou-se que, ao apresentar uma falsa pressuposição, o participante recordava-se da falsa informação sugerida como se fizesse parte da original. Este modo de fazer pesquisa foi denominado de Paradigma da Falsa Informação. Outra forma de estudar o fenômeno é por meio o Paradigma DRM, que propõe a utilização de listas de palavras semanticamente relacionadas para
estudo das falsas memórias. Os resultados apontaram que palavras que não estavam na lista, mas que são semanticamente relacionadas àquelas da lista, também costumam ser recordadas. Esses resultados têm mostrado consistentemente que distorções do lembrar têm uma base semântica. Na Análise do Comportamento, o Paradigma da Equivalência de Estímulos têm sido utilizado como uma forma de estudar relações semânticas. Isso levou ao desenvolvimento dos primeiros estudos sobre falsas memórias na abordagem comportamental. As pesquisas recentes fizeram uso do Paradigma da Equivalência de Estímulos para formar, em laboratório, relações entre estímulos análogas às relações semânticas. A partir dessa formação, tais estímulos foram utilizados tanto associados ao Paradigma da Falsa Informação, quanto ao DRM. Os resultados obtidos nessas pesquisas têm replicado os resultados típicos das pesquisas sob a abordagem da Psicologia Cognitiva. Além disso, algumas variáveis foram investigadas, tais como o papel do contexto e de conteúdos emocionais. O primeiro demonstrou um controle parcial do contexto sobre a distorção no lembrar. Já ao inserir conjuntos de expressões faciais (alegres, raivosas ou neutras) na formação das classes de equivalência, obteve-se que distratores
críticos eram mais reconhecidos na lista neutra, e que listas com conteúdo emocional são menos sujeitas a falsas memórias. Acredita-se que o Paradigma da Equivalência e Estímulos oportuniza uma explicação analítico comportamental para as falsas memórias, e seu uso em pesquisa permite observar como uma história de relação entre organismo e ambiente pode influenciar no comportamento de lembrar.

Palavras-chave: Falsas memórias; equivalência de estímulos; paradigma
DRM.