Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

VIVENDO NO MURO DAS LAMENTAÇÕES: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

TAINÁ FEY LING WANG

 

Florença Lucia Coelho Justino

 

ITCR-Campinas

 

Sofia (35) era graduada em Psicologia e casada com Teonio (61) há 3 anos e meio. O casal não tinha filhos, porém Teonio tinha 3 filhos de um casamento anterior: Maria (31), Joana (29) e Marcos (21). Sofia trabalhava meio turno na empresa do marido na função administrativa. Teonio era médico psiquiatra, tinha a sua empresa e fazia plantões em hospitais. A queixa principal relatada pela cliente foi a dificuldade que tinha para se relacionar com as pessoas. Como queixas secundárias, relatou a dificuldade para se comunicar com o marido e a difícil convivência com a família. As dificuldades da cliente identificadas pela psicoterapeuta foram: déficit na emissão de comportamentos assertivos e emissão de comportamentos com fenótipos que variavam entre o passivo e o agressivo; repertório restrito de comportamentos de resolução de problemas no trabalho e nas relações interpessoais; cobranças excessivas em relação ao marido e aos familiares; atribuição da responsabilidade aos outros pelos efeitos do próprio comportamento (pouca discriminação das consequências de seus comportamentos); baixa tolerância à frustração; emissão de comportamentos indesejáveis quando o marido não se comportava da forma que desejava, dispensando-lhe pouca atenção; insensibilidade ao outro. A partir da história de Contingências de Reforçamento (CR) da cliente, foi possível concluir que Sofia cresceu em um ambiente coercitivo e com punições frequentes e intensas. A cliente foi exposta a CR que produziram comportamentos agressivos, uma vez que o pai era agressivo com a mãe e com os filhos, e a mãe reforçava de forma não contingente os comportamentos do pai. Sofia realizou parte de suas escolhas por fuga-esquiva em função do controle coercitivo exercido pela família, principalmente pelo pai, e não conseguiu formar laços fortes com as pessoas que conhecia ao longo de sua vida. Diante dessas condições, a cliente apresentava déficit na emissão de comportamentos que poderiam produzir reforçadores positivos e produzia atenção do marido e das pessoas do seu convívio por meio de comportamentos indesejados. Os objetivos terapêuticos foram: ampliar e fortalecer repertório de comportamentos assertivos; ampliar o repertório de comportamentos de resolução de problemas no trabalho e nas relações interpessoais; diminuir a emissão excessiva de comportamentos verbais da classe cobranças ao marido e familiares; ampliar a discriminação da cliente em relação às consequências aversivas que eram produzidas pelo seu próprio comportamento nas interações com o marido e os demais; torná-la consciente de que se vitimizava ou se comportava com fenótipo indesejado com a função de produzir a atenção do marido e dos demais; desenvolver repertório para lidar com situações de frustração; auxiliar a cliente a discriminar o papel do seu comportamento sobre os acontecimentos cotidianos, reconhecendo a sua influência na produção das CR em operação. Ao longo do processo psicoterapêutico, Sofia oscilava na apresentação de comportamentos resistentes a mudanças. Foi possível observar, posteriormente, que a cliente eventualmente passou a: emitir comportamentos de sensibilidade ao outro em determinadas situações; discriminar e se conscientizar dos comportamentos que emitia e das consequências que eram produzidas; diminuir a frequência de emissão de comportamentos verbais ácidos, punitivos e duros em relação ao marido; reconhecer a sua parcela de responsabilidade no manejo e manutenção das CR que estavam em operação em sua vida.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); agressividade; assertividade.