Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO PRECOCE NO TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA: ESTUDO DE CASO EM ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA)

 

MARIANA VALENTE T. DA SILVA TALARICO    

Maísa Novaes Portella Checchia     

Ana Carolina de O. Espanha Romeiro        

ABAcadabra


Eduardo (2 anos e 10 meses) frequentava o Ensino Infantil 1 fase 2, era filho único e foi diagnosticado aos 2 anos com Transtorno do Espectro Autista, que consiste em um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits sociais e de comunicação, interesses fixados e comportamentos repetitivos. O transtorno tem sido identificado cada vez mais cedo, possibilitando a intervenção precoce. As queixas
iniciais apresentadas pela família foram: atraso na fala e nas habilidades básicas (mensuradas também por meio de avaliação comportamental) e comportamentos indesejados (birras), apresentados em diversos contextos. Eduardo tinha uma história de Contingências de Reforçamento (CR) composta, prioritariamente, por CR de reforço positivo: a família reforçava seus comportamentos constantemente, inclusive os comportamentos indesejados, o que dificultava que fossem selecionados e fortalecidos os comportamentos desejados para ampliar seu repertório. Eduardo passou a ser acompanhado em intervenção Analítico-Comportamental aos 2 anos e 7 meses, em janeiro de 2016. Os objetivos psicoterapêuticos propostos foram: a) diminuir comportamentos indesejados (birras); b) desenvolver repertório de habilidades básicas, tais como: imitação motora, linguagem receptiva, emparelhamento, imitação vocal, brincadeira independente e montar quebra-cabeça; c) instalar repertório de emissão de mandos (apontar); d) instalar comportamento de sentar-se à mesa e sentar-se no chão (e permanecer sentado). Os procedimentos utilizados foram: a) modelagem, reforçando diferencialmente aproximações sucessivas ao comportamento desejado; b) reforçamento diferencial de comportamentos desejados emitidos por Eduardo; c) análise de tarefas, em que são estabelecidos alguns passos para facilitar a aprendizagem, com esvanecimento de dica; d) extinção dos comportamentos indesejados; e) orientações à família sobre como
consequenciar os comportamentos emitidos por Eduardo, especialmente os comportamentos indesejados. Os resultados obtidos foram: a) Eduardo passou a emitir mando (apontar) para itens reforçadores, de maneira consistente e generalizada; b) os comportamentos indesejados de Eduardo estavam diminuindo de frequência, duração e topografia; c) foi instalado o comportamento de sentar-se à mesa e permanecer sentado, especialmente durante as sessões; d) Eduardo também já permanecia mais tempo sentado no chão, mas ainda apresentava comportamentos de fuga-esquiva de demanda nessa situação; e) com relação às suas habilidades, Eduardo já aprendeu a emparelhar objetos idênticos com discriminação entre dois estímulos, emparelhar duas cores, imitar movimentos com objetos, apontar para itens quando solicitado (linguagem receptiva), montar quebra-cabeça de três peças e brincar de maneira independente e funcional por aproximadamente dois minutos com brinquedo de encaixe. Tais resultados demonstram uma ampliação do repertório de Eduardo e importantes alterações nas Contingências de Reforçamento, ainda que a intervenção tenha se iniciado recentemente, fato que confirma a importância da intervenção precoce no TEA.         

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Análise do Comportamento Aplicada; intervenção precoce.