Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)     

 

“NÃO SINTO QUE SOU IMPORTANTE” - A ESCASSEZ DE INTERAÇÕES REFORÇADORAS POSITIVAS NO CONTEXTO FAMILIAR

MARIANA BILIA ARTHUR

Espaço OrientAção - Piracicaba/SP

 

Ana, 19 anos, era solteira, cursava Fisioterapia e residia com os pais e dois irmãos mais novos, de 15 anos de idade. Ela procurou psicoterapia queixando-se de sua escolha para o curso superior. “Eu me sinto confusa, não sei ao certo se é o curso que quero.” Outra queixa era com relação aos sentimentos de tristeza, angústia e ansiedade que a cliente experimentava há mais de um ano. “Semana passada eu tive uma crise de ansiedade, senti náusea, dor abdominal, transpirei muito e tremia demais.” A cliente relatou que se sentia deprimida e com medo. Em relação à sua História de Contingências de Reforçamento (HCR) Ana relatou que seu pai tinha um alto nível de exigência sobre o comportamento da filha, de maneira que apenas respostas muito elaboradas de fuga-esquiva eram selecionadas. “Com os meus irmãos, a relação é diferente por eles serem homens. Conosco, ele [pai] é machista e arrogante. Ele menospreza o que eu sinto e fala que é frescura e vagabundice da minha parte”.  A mãe de Ana pouco contracontrolava os comportamentos do marido e raramente defendia a cliente das acusações e agressões do pai. Ana relatou que, durante a infância, passou a emitir comportamentos que o pai aprovava, a fim de receber algum afeto e se esquivar de punições. “Sempre quis ser perfeita, não posso errar e tento agradá-lo o tempo todo, mas não funciona. Me perdi pelo caminho”. Algumas agressões físicas, cometidas pelo pai, ocorreram ao longo da infância e da adolescência da cliente. Alguns dos objetivos e procedimentos terapêuticos foram: levar a cliente a discriminar as CR em operação no ambiente familiar e na universidade; levá-la a tomar decisões com relação à continuidade do curso superior; desenvolver repertório para a emissão de comportamentos que produzissem consequências reforçadoras positivas; levar a cliente a ficar sob controle do repertório comportamental desejado, desenvolvido ao longo da história de CR e substituir comportamentos de fuga-esquiva por comportamentos mais desejados. Procedimentos tais como reforçamento positivo, instrução verbal e análise de CR foram utilizados ao longo do processo. Ana passou a discriminar melhor as CR em operação, aprendeu a priorizar situações que produziriam reforçadores positivos, conseguiu tomar algumas decisões com relação ao redirecionamento da vida profissional, retomou o contato com amigos e não teve mais as crises de ansiedade. “Hoje eu consigo ver que avancei muito, estou até procurando situações para interagir com as pessoas”.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); ansiedade; contracontrole; autoestima; autoconfiança.