Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

A NECESSIDADE DOS REFORÇADORES POSITIVOS NATURAIS PARA GARANTIR A MANUTENÇÃO DAS MUDANÇAS – ESTUDO DE CASO CLÍNICO SEGUNDO A TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

LUCIANA SANCHEZ REZENDE

Consultório Particular – Lavras/ MG

 

Mariana (27), casada, procurou psicoterapia queixando-se de ter reações impacientes ou agressivas frente a situações de frustrações do dia-a-dia, não conseguir emagrecer (Altura 1:70, Peso 105kg), dificuldades de interação interpessoal, sentimentos tais como: medo de morrer ou de perder pessoas significativas, oscilações de humor e baixa autoestima. A análise das Contingências de Reforçamento (CR) permitiu compreender que, possivelmente, a cliente não foi exposta ao longo de sua infância a CRs que lhe possibilitassem o desenvolvimento de repertórios comportamentais desejáveis frente a frustações, além de ter acesso a reforços livres abundantes. Tal condição repercutiu na vida adulta em padrões comportamentais de alto nível de exigências e fraco repertório de terceiro nível de seleção. Assim, a cliente também sentia baixa autoconfiança nas interações e se comportava sob controle da operação motivacional (OM) de privação de afeto, sentindo medos e realizando excessivo controle coercitivo sobre as outras pessoas. Os objetivos psicoterapêuticos foram: a) produzir a discriminação da relação funcional entre as respostas que emitia e as consequências que elas produziam; b) desenvolver repertório de terceiro nível de seleção; c) desenvolver comportamentos de fuga-esquiva desejáveis frente a frustrações; d) desenvolver repertórios que produziriam sentimentos de autoestima. Os procedimentos adotados foram: a) descrição das CRs; b) instrução verbal; c) reforçamento positivo arbitrário incondicional e contingente a respostas desejáveis. Dentre os resultados observados, a cliente acrescentou à rotina de vida atividades físicas e reeducação alimentar, perdendo em torno de 13 kg. Discriminações de estímulos pré-aversivos permitiram a esquiva de conflitos interpessoais. Novas respostas com função de fuga-esquiva foram emitidas em situações de frustrações, por exemplo, a busca de um trabalho mais gratificante. O comportamento verbal da cliente passou a expressar o entendimento das CRs sob cujo controle se comportava, das alterações realizadas e dos sentimentos agradáveis sobre si mesma, os quais passaram a selecionar os novos repertórios. Entretanto, tais mudanças apresentadas após sete meses de processo psicoterapêutico sofreram decréscimo após um ano e três meses de psicoterapia. Os novos comportamentos foram emitidos, predominantemente, sob controle coercitivo e à medida que sentia alívio, diminuía as respostas. O padrão sensorial da cliente contribuiu para as dificuldades de discriminação e operação para obtenção dos reforços positivos naturais.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), frustração, baixa autoestima, manutenção dos novos repertórios.