Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

QUANDO AS DIFICULDADES ESCOLARES DO FILHO SÃO PARCIALMENTE
MANTIDAS POR DIFICULDADES COMPORTAMENTAIS DOS PAIS – UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

LUCIANA SANCHEZ REZENDE

Renata Cristina Gomes

 

ITCR-Campinas

 

Erik (11), filho único, vivia com o pai (48) e com a mãe (47). Estava cursando o 6º ano do Ensino Fundamental II quando os pais buscaram psicoterapia queixando-se das dificuldades de Erik em realizar de forma independente as atividades escolares e estudar para as provas. Acrescentaram que algumas notas do filho estavam abaixo da média e que Erik andava de skate, assistia à televisão ou utilizava a internet em detrimento de realizar seus deveres escolares e estudar. A análise das Contingências de Reforçamento (CR) mostrou que as respostas de estudar não eram intrinsecamente reforçadoras para Erik e que seus pais inadvertidamente contribuíam para manutenção dos comportamentos indesejados do filho em relação aos estudos. Os objetivos do processo psicoterapêutico, relacionados diretamente ao Erik, foram: a) aumentar as respostas de estudar e fazer atividades escolares; b) instalar repertório funcional de estudo; c) aumentar a autonomia em relação ao controle das obrigações escolares. Também foram propostos objetivos que envolviam os pais, entre eles: a) desenvolver repertório de interação amena e reforçadora entre mãe e filho; b) desenvolver repertório do pai para monitorar as atividades escolares e controlar de forma amena e efetiva os comportamentos desejados e indesejados de Erik. Os procedimentos adotados incluíram: (1) organização da rotina das tardes de estudo em casa, sob supervisão do pai, com a disponibilização de reforçadores contingentes ao desempenho de Erik; (2) instruções, modelação e modelagem de respostas funcionais de estudo a partir de material potencialmente reforçador para Erik; (3) orientações para a realização de atividades prazerosas entre mãe e filho e o afastamento temporário da mãe do acompanhamento escolar; (4) descrições ao pai das CR e orientações a ele sobre critérios para organização da rotina de estudos de Erik; (5) modelagem e reforçamento diferencial de respostas do pai que fossem incompatíveis com respostas indesejadas (aquelas agressivas para com o filho ou de fuga-esquiva das orientações dadas pela psicoterapeuta). Erik passou a emitir respostas desejadas de estudar, porém ainda não de forma consistente ou eficiente. Erik e seus pais tiveram dificuldades em ficar sob controle das variadas instruções ao longo do processo psicoterapêutico.


Palavras-chave:
Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR);
dificuldades escolares; comportamento de estudar; orientação de pais.