Atividade: Comunicação Oral

UM ERMITÃO FORA DA CAVERNA: QUANDO O CONTROLE POR REGRAS IMPEDE A PRODUÇÃO DE REFORÇADORES POSITIVOS. ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

LUCIANA FARIA

Centro de Psicologia Comportamental

 

Priscila Maria Ribeiro Manzolli

ITCR - Campinas

Lucas (34), casado com Paula (36), sem filhos, era professor de Ensino Médio. Relatava como queixa Transtorno do Pânico e ansiedade excessiva. Descrevia como principais sintomas taquicardia e sensação de sufocamento. Também relatou que emitia comportamentos obsessivos-compulsivos: realizava rituais diariamente que envolviam números e imagens de santos. Lucas era o filho do meio de duas irmãs. Contou que se sentia preterido pelos pais e que as irmãs demandavam muita atenção deles desde novas, pois elas não apresentavam um bom desempenho escolar e em casa tinham dificuldade para aceitar regras e limites. Lucas dizia que não poderia preocupar os pais e se comportava sob controle da regra: “Não posso dar trabalho para meus pais”. Desde criança, Lucas apresentava excelente desempenho escolar (tinha terminado o doutorado há três anos) e dizia que se esforçava para ser um filho exemplar. Segundo o cliente, apesar dos esforços, os pais não davam muita atenção a tais comportamentos. Lucas desenvolveu excesso de comportamentos e sentimentos de responsabilidade: chegava com antecedência no trabalho, entregava as atividades antes do prazo e preparava materiais extras para os alunos mesmo quando não era solicitado. Tal repertório tão fortalecido impedia que Lucas entrasse em contato com reforçadores positivos, já que ficava sob controle das obrigações e compromissos que deveria cumprir. Descrevia-se como um “ermitão”, frequentava pouco qualquer tipo de evento social, recusava convites e tinha poucos amigos. Os sintomas do Transtorno de Pânico começaram depois que Lucas sofreu um acidente de trabalho. O cliente acrescentou que nessa mesma época também teve depressão. O comportamento de Lucas ficava basicamente sob controle de regras que o impediam de ficar sensível às contingências de reforçamento (CR) em operação e dos possíveis reforçadores aos quais poderia ter acesso. Sentia-se ansioso principalmente quando alguma situação não planejada ocorria. Os principais objetivos do processo psicoterapêutico foram aumentar o controle pelas CR e estimular a participação do cliente em situações de contato social. Para isso, os procedimentos utilizados foram: descrição e análise das CR com foco nas consequências produzidas pelos comportamentos emitidos; instrução verbal de como o cliente poderia se comportar para produzir/obter reforçadores positivos e diminuir respostas de fuga-esquiva em situações sociais. Lucas passou a ficar mais sob controle das CR tendo acesso e produzindo reforçadores positivos. Diminuíram os rituais e a ansiedade e o cliente passou a participar de eventos sociais. Lucas continua em processo psicoterapêutico.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); Transtorno do Pânico; regras; responsabilidade.