Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)     

 

“SAI DA MINHA ASA”: TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR) EM UM CASO DE EXCESSO DE REFORÇO LIVRE NA RELAÇÃO MÃE-FILHO

LARISSA DE AGUIRRE SILVA

Gabriela Carvalho Paes

ITCR – Campinas

Miriam (51), graduada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, era solteira e morava com seus três filhos, Douglas (31), Leandro (26) e Paulo (21), sendo todos fruto de relacionamentos fortuitos. Miriam trabalhava como professora auxiliar em uma escola infantil do município onde residia. A queixa principal relatada pela cliente foi a de estar sobrecarregada com os problemas dos filhos e acabar resolvendo todos os conflitos deles. As dificuldades da cliente identificadas pela terapeuta foram: déficits na emissão de operantes verbais do tipo tato, ou seja, a cliente relatava de forma confusa sua rotina e queixas; dificuldades em estabelecer relações entre seus comportamentos e o que os mesmos produziam, assim ela não identificava que as condições em que ela vivia haviam sido produzidas por seus próprios comportamentos; déficits na emissão de comportamentos sensíveis ao outro, Miriam não ficava sob controle do que era reforçador ou aversivo para as pessoas com quem ela convivia; déficits na emissão de respostas de fuga-esquiva que fossem eficazes diante de solicitações realizadas pelos filhos, e também em situações de convívio social; excesso de comportamentos governados por regras e autorregras disfuncionais para seu contexto de vida, como por exemplo o seguimento de um conjunto de regras do que mães devem fazer pelos filhos, e excesso de emissão de respostas sensoriais.  A História de Contingências de Reforçamento (HCR) revelou que Miriam não se desenvolveu em um ambiente que reforçasse seus comportamentos autônomos de forma contingente, assim ela não precisava se comportar para produzir seus próprios reforçadores, pois havia intermédio da mãe, que enquanto viva, não apresentava reforço diferencial para seus comportamentos autônomos. Durante maior parte de sua vida a cliente obteve amplo auxilio da mãe para cuidar dos três filhos e de todas as outras rotinas do funcionamento de uma casa. Após o falecimento da mãe, Miriam assumiu o cuidado de seus três filhos, reproduzindo o modelo comportamental que lhe era habitual, ou seja, disponibilizando reforços não contingentes a comportamento, reforçando livremente os comportamentos de seus filhos, o que produziu três adultos com déficit generalizado de repertórios e que se mantinham dependentes comportamentalmente de Miriam. Diante do exposto, os objetivos terapêuticos foram: ampliação do repertório de emissão de operantes verbais, principalmente tatos, que fossem coerentes e claros para a terapeuta; torná-la consciente dos produtos dos seus comportamentos em relação aos filhos; desenvolver repertório de sensibilidade ao outro; enfraquecer o controle por regras a respeito de quais comportamentos uma mãe deveria emitir; colocar a cliente sob controle da relação funcional entre os três termos das Contingências de Reforçamento (CR); ampliar o repertório de discriminação de reforçadores e de comportamentos que produzissem tais reforçadores e desenvolver habilidades (ampliar variabilidade comportamental) para aumentar a probabilidade da cliente se expor e produzir reforçadores positivos. Ao longo das 19 sessões realizadas durante o processo psicoterapêutico, foi possível observar que Miriam: começou a discriminar quais CR haviam produzido os déficits de repertório comportamental dos filhos; diminuiu a emissão de comportamentos de resolução de problemas dos filhos; ampliou seu acesso a reforçadores sociais e iniciou um processo de autoconhecimento a fim de identificar estímulos reforçadores para si.

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); reforço livre; dependência comportamental; autoconhecimento.