Atividade: Comunicação oral

 

"PAREM DE GRITAR QUE A MÃE NÃO ESTÁ BEM": A MULHER QUE CONTROLAVA SEUS FAMILIARES SE ENTORPECENDO

 

Henrique do Nascimento Ricardo

Prefeitura Municipal de Jaguaruna (SC)

 

Relato de intervenção em Terapia Comportamental com cliente do sexo feminino que abusava do uso de medicação. Regina (40), casada, primeiro grau completo, dona de casa, mãe de três filhos, foi diagnosticada pelo psiquiatra do programa de saúde mental do município em que residia com Transtorno de Personalidade Borderline e foi encaminhada para psicoterapia. No encaminhamento foi indicado pouco efeito do tratamento medicamentoso e a manutenção da extrema impulsividade. Em sessão, Regina relatou que os remédios eram escondidos por seu marido e entregues somente no horário recomendado. Quando saía de casa, porém, na primeira oportunidade, comprava medicações ou pegava escondido na casa de conhecidos. Uma análise das contingências de reforçamento (CR) em operação permitiu identificar que contingências aversivas (punição) eram as mais frequentes operando entre os membros da família, dentre eles as constantes brigas entre dois dos filhos, e os comportamentos antissociais do filho mais velho. O uso de medicação era a resposta de fuga-esquiva emitida para tentar eliminar ou adiar a estimulação aversiva. A ingestão da super dosagem produzia efeitos fisiológicos relacionados a sono-vigília, resultando em um grande período de sedação. Além disso, diante da condição de "doente" havia a redução na apresentação de estimulação aversiva por parte dos familiares. Durante o atendimento foi identificada baixa discriminação do que era falado a ela e um alto volume da fala. Por várias vezes a paciente pediu que fosse repetido o que era verbalizado. Alguns dos objetivos foram: desenvolver repertório de autocontrole diante da oferta de medicações; desenvolver padrões de comportamentos assertivos na relação com os familiares; desenvolver repertório de cuidado com a saúde física, em especial em relação à perda da audição. Os procedimentos utilizados foram: análise e descrição das CRs em operação; extinção comportamental; instrução verbal sobre tratamento da saúde auditiva; reforçamento diferencial de outros comportamentos. Progressos comportamentais importantes foram verificados e relatados: houve diminuição nas respostas de ingestão de medicações; houve aumento nas respostas de descrição de eventos com possível função reforçadora positiva. Regina aderiu ao tratamento com otorrinolaringologista e iniciou o uso do aparelho auditivo. Também começou a frequentar outros serviços de prevenção à saúde oferecidos pelo município.

 

Palavras-chave: Saúde Mental; Sistema Único de Saúde; contingências de reforçamento.