Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

PSICOTERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP) EM UM CASO DIFÍCIL: PLANEJANDO A INTERVENÇÃO E MEDINDO RESULTADOS NA CLÍNICA

GABRIELA DE OLIVEIRA LIMA

Claudia Kami Bastos Oshiro

Universidade de São Paulo (USP)

 

O presente estudo tem por objetivo descrever um caso clínico de difícil conceituação com o respectivo planejamento, atendimento e medida do resultado da intervenção realizada. Juliana, 40 anos, foi encaminhada por um psiquiatra com o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e Psicose não orgânica. Na primeira sessão as queixas relatadas por Juliana foram: baixa autoestima, baixa autoconfiança, pouca motivação para realizar tarefas, dificuldade para voltar a trabalhar, dores, problemas de saúde diversos, tremores, sentimentos de ansiedade, dificuldade de sair de casa, dificuldade de manter relações interpessoais e agressividade. Nos atendimentos clínicos, a psicoterapeuta encontrava dificuldades para selecionar os comportamentos-problema em meio a tantas queixas e de focar na intervenção naqueles comportamentos-problema que traziam maior prejuízo para a cliente e em compreender o relato desorganizado e arborizado, focando em um tema durante a sessão. Inicialmente, além da observação e análise de Contingências de Reforçamento (CR), utilizou-se do instrumento Outcome Questionnaire (OQ-45) para selecionar qual grande classe de comportamento era maior foco para a intervenção. O OQ-45 é um instrumento ateórico com o objetivo de avaliar o progresso do cliente diversas e repetidas vezes no processo psicoterapêutico. Ele é dividido em três grandes classes funcionais (desconforto subjetivo - SD; relacionamento interpessoal - IR; papel social- SR) e, quanto maior a pontuação, maior o sofrimento de quem responde ao instrumento. As pontuações de Juliana eram muito altas em todas as classes, portanto, o critério de escolha foi o de porcentagem acima do nível clínico esperado para quem não apresenta sofrimento. O maior resultado em porcentagem acima do nível clínico para Juliana foi na classe de relacionamentos interpessoais. Dessa forma, o foco inicial da intervenção terapêutica foi a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) com o objetivo de promover e melhorar o repertório nas relações interpessoais por meio da melhora dentro da sessão. Os comportamentos problema em sessão (CRB1) eram agressividade (olhar fixo, intimidação, mudança no tom de voz e ameaças) e relato confuso, fantasioso e arborizado, comportamentos que funcional e topograficamente apareciam nas situações fora de sessão e promoviam afastamento em médio e longo prazo das pessoas do seu círculo social. O evocar e o consequenciar dos CRB1 dentro da sessão promoveram melhora dos comportamentos de Juliana também fora de sessão. Isso porque, após a introdução da FAP, a classe IR caiu mais que o dobro de pontos necessários para caracterizar uma mudança clínica significativa. Conclui-se que, em casos de difícil condução e planejamento de intervenção, o instrumento OQ-45, apesar de ateórico e por apresentar comportamentos distribuídos em grandes classes de comportamentos, além de ajudar no processo de construção de uma melhor intervenção também é útil para avaliar o efeito da intervenção proposta no contexto clínico.



Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), Outcome Questionnaire (OQ-45), medida de resultado, intervenção clínica.