Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)

 

COACHING X PSICOTERAPIA: A IMPORTÂCIA DA ANÁLISE FUNCIONAL NA DEFINIÇÃO DAS ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS ADEQUADAS À HISTÓRIA DE CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO DO CLIENTE

 

ERIKA PATRICIA SCANDALO BALEEIRO

 

Consultório particular

 

É cada vez mais frequente os clientes chegarem ao consultório solicitando técnicas específicas de trabalho como o “Coaching”, com a expectativa de resolverem de forma rápida e pontual problemas vivenciados no contexto profissional. O presente estudo de
caso tem por objetivo apresentar a aplicação da análise funcional para a definição das estratégias utilizadas no atendimento individual cuja solicitação inicial foi um trabalho de Coaching. Seguindo os preceitos teóricos do Behaviorismo Radical, cabe ressaltar que o processo de diagnóstico e intervenção foram concomitantes. A cliente, do sexo feminino, com 47 anos e gestora de um setor numa indústria alimentícia apresentava: a) déficit para produzir reforçadores positivos; b) repertório restrito a produção de
reforçadores negativos na grande maioria dos contextos, tendo como
subproduto emocional sentimentos de baixa-estima, ansiedade e medo de
punição frente a figuras de poder na instituição, e consequente paralisação em novos
projetos; c) dificuldades para discriminação do que seus comportamentos produzem no outro; d) repertório restrito de contracontrole. Após o primeiro   encontro e levantamento das principais hipóteses, foi proposta à cliente a psicoterapia individual como alternativa mais adequada para ampliar o repertório comportamental, ao invés do Coaching. Essa proposta ocorreu por meio da discussão sobre as diferenças entre as técnicas pontuais do Coaching e as estratégias terapêuticas baseadas na análise funcional e seus benefícios mais abrangentes e eficazes. Como resultado de 27 sessões feitas até o momento, foi possível observar: ampliação da exposição a situações aversivas, com menor apresentação de sentimentos de receio de punição emissão de comportamentos que produziam reforçadores positivos e sentimentos de autoestima. As exposições graduais a aversivos sociais (colegas de trabalho que puniam a cliente de forma não contingente) propiciaram o contato com consequências reforçadoras, com repercussão nos sentimentos de autoconfiança, o que tornou mais
frequente a iniciativa da cliente em aumentar o grau de dificuldade das
exposições. As dificuldades de relacionamento também foram analisadas e houve progressos significativos no contato com autoridades, principalmente na análise que a cliente passou a realizar em relação  ao recebimento ou não de consequências sociais positivas  do interlocutor, em contraste com julgamentos preconceituosos e
pejorativos que fazia anteriormente.

 

Palavras-chave: Coaching; psicoterapia; análise funcional; história de
Contingências de Reforçamento; ampliação de repertório.